Terça-feira, 15 de Maio de 2012
Saudade do encontro

Deixaste um pedaço de ti

Esparramado no chão

Levaste um pedaço de mim

Acendeste-me a paixão

 

Mordi lábio à despedida

Fiz reza, uma oração

Espero que voltes um dia

Rezo por essa condição

 

Ainda hoje estou aguardando

Que me voltes a visitar

Fico à espera a noite toda

Que me queiras ainda amar

 

Choro, angustia, saudade

Se o vento pudesse levar

Se te pudesse trazer

Bom era poder-te amar

 

Nada mais seria igual

Tudo teria perdão

Palavras doces e amor

Palavras do coração

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Terça-feira, 1 de Maio de 2012
O recado

O recado que me mandaste

Li-o com muita atenção

Fiquei triste com o que disseste

Zangado, pois não perdoaste

Fizeste-o com intenção

 

Deixaste-me sem te ver

Sem permissão, abandonado

Um farrapo, mal tratado

Depois de tanto perdão

 

As cartas que te escrevi

Levou-as soprado vento

Contava-te o meu tormento

Porque nunca mais te vi

 

Deu-me uma saudade imensa

Do tempo que te queria ter.

Agora com a tua indiferença

Já não sei mais que fazer

 

Uma noite chorei e bebi,

Mas depois de acordar

Senti que podia amar

Outra mulher sem ti

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Domingo, 15 de Abril de 2012
A nossa Lua

A Lua que gira à nossa volta

A terra que gira à volta do Sol

O Sol que gira à volta de outros mais

Fez-te girar. Girar neste tormento:

Que é afinal o pensamento

 

No sentido que te levam as palavras

Nos gestos que te fazem pensar nelas

Esqueces o que sempre te ensinaram

E perdes-te na ilusão de sonhar alto

 

Era minguante, mas esperançado

Quando surgiu a lua nova desse lado

Quando chegou a lua cheia luminosa

E nos viu de amores lado a lado

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Domingo, 1 de Abril de 2012
Dois amores

São dois amores que disputo,
Duas odes quero cantar
O Douro, tenho-o comigo,
O Alentejo faz-me pensar


Deleito-me com belos sons,
Com encantos que me dão
Nas suaves melodias
Das suas ondas do mar

Um tem serras e montes
E rios a transbordar
Outro, planícies sem conta
E moleza no falar

Um a sul, quente demais,
Outro frio de gelar
O Alentejo com paixão
E o Douro de encantar

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quinta-feira, 15 de Março de 2012
O Nosso Balanço

Fiquei sem saber o que dizer.

Em menos de um fósforo regressei à infância.

Quis-me esconder como uma criança.

Ficar envolto num abraço maternal, sentir-me seguro,

Poder esquecer que me pudesses fazer mal,

Acreditar que tudo não passava de um sonho.

Porém, roía-me por dentro,

Tinha de te responder,

Tinha de falar,

Dizer-te com frontalidade, olhos nos olhos;

Que amar não é só presença.

Amar é pensar em ti de noite, de manhã, à tarde

Querer o melhor da vida para contigo partilhar.

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Quinta-feira, 1 de Março de 2012
Nada

Sobre o nada já muito se disse
Sem nunca se dizer nada.
O teu nada com o meu, nada deu.
Dou-te nada em troca de nada.
E agora pergunto eu:
Se já não tinhas nada,
Afinal quem é que perdeu?

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
Senti-te

Deixei-me embalar…

As palavras diziam nada

O compasso estava certo

Era música que cantava

Deixei-me sonhar…

Nas fantasias sonhadas

Ecos pelas montanhas

Nas notas que entoavas

Deixei-me acordar…

Eram os nossos desejos

Lábios que escaldavam

Leves toques de beijos

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
Quero ver o mar

Quero ver o mar,

De pé, deitado ou de pernas para o ar,

Quero ver o mar,

De longe, de perto, ao Sol, ao Luar,

Quero ver o mar,

O pequeno, o grande, o imenso mar

E areia com crianças a rebolar.

Pronto, já disse! Quero ver o mar.

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Domingo, 15 de Janeiro de 2012
Grito de esperança

Parece que finalmente

Poderei mesmo concluir

Que tudo acabou entre nós,

Que desta foi para sempre

 

Durante este tempo todo

Perdi-me de amores contigo;

Só vivo a pensar em ti.

Fui iludido. Sou um tolo

 

Não! Não consigo entender

Se eu nem te queria ter,

Apenas de ti receber

Mimos de enternecer.

 

Que é feito? Que achais

Daquela amizade que nos uniu?

Que é feito dos carinhos

Que enchiam os postais?

 

Fazes as pazes comigo?

Devolveste-me o silêncio.

Mesmo assim amo-te muito,

Mesmo com tudo perdido

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Domingo, 1 de Janeiro de 2012
Pouco importa

O teu ciúme agonia-me

Perco vontade de viver

Sabendo que pensas em ti

Estando eu prestes a morrer

 

Tão louco foi esse amor

De profundo enternecer

Como ousaste criar dúvida?

Dizer fui; sem nunca o ser

 

A penumbra da agonia

Que o tempo já não me cobra

O consentimento da vida

Pouco importa se já sobra

 

Quadras que rimam sem nexo

Palavras de pouco sentido

Frases soltas que se perdem

Na memória de não ter sido

 

A incerteza nos dias

Angústia, fúria talvez

Tudo fizeste na vida

Para acabar de vez

 

Vem, lua nova vem

Apaga a luz que me resta

Traz-me o amor de além

Que este, já vi, não presta

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
Kity

Oh! Que imagem, que cor…

Esse lugar onde a luz que sobrava fazia reflexos.

Não havia dor, frio calor ou míngua de amor…

 

Foi assim que a vi, iluminada, posta de lado.

Com aquela luz que me penetrava o corpo.

Com aquele sorriso que me dava tudo a troco de nada…

 

Oh! Que imagem, sei-a de cor…

Quando a tarde adormecia, o sol, mal posto ainda a via.

O vento batia-lhe no rosto com lufadas breves.

Porém, numa sina de tristeza ficou envolta pela escuridão.

Foi então que acompanhou a natureza, deixando-me a solidão.

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011
Donzela

Donzela de corpo e alma

Já sabe do que é capaz

No espelho fita com calma

No vestir é bem audaz

 

Corpo magro e esticado

Cabelo ruivo a esvoaçar

Passo largo e ritmado

Vai prá rua passear

 

A inveja que ela faz

À velha lá na calçada

Dá gozo ao velho sagaz

Ver-lhe a saia arregaçada

 

Espreitam prá ver de frente

Olham prá ver de trás

Suspiram desejos de mente

Que o corpo já nada faz

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
É tudo sonhos

Sonhos. É tudo sonhos, é tudo ilusão.

A minha fantasia, este querer, esta vontade:

Ter asas para voar.

Um dia ter-te, subir no ar para te amar.

 

Sonhos. Sonhar os sonhos e acordar só, sem te tocar.

É uma loucura.

É tudo sonhos.

A minha alegria é sonhar-te em fantasia.

 

Sonhos. É tudo sonhos. Ver-te tão triste morrer em sonhos.

Acordar no sonho e querer continuar.

Sonhos. É tudo sonhos viver no sonho de te amar

 

Sonhos. É tudo sonhos.

Ter-te p'ra mim, sonhar sem sonho

Querer por fim sonhar amar-te sem sonhar

 

Sonhos. É tudo sonhos...

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Terça-feira, 1 de Novembro de 2011
Sacola de sonhos

Um sorriso de criança

Um pedir tudo do mundo

Inocência, breve lembrança

Um tesouro na sacola

Carregado de esperança

 

Um dia pôs a cartola

Um riso com alegria

Com gargalhada franca

Matreiro no outro dia

Que mata, mas não espanca

 

Como cresceu o rapaz…

Que homem se fez depressa.

Vai ser um doutor de paz

Chamado juiz, ora essa!

 

Na luta do dia-a-dia

Encontrou a bela Inês.

O amor que ele pedia

Nunca ela o satisfez.

 

Encontrou a bela Aurora

O mesmo a ele lhe fez.

Trocou-a por uma Isaura

Perdendo-a no mesmo mês.

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Sábado, 15 de Outubro de 2011
Esperei por ti

Vi-te um dia a passear

Abraçada pelo teu amor

Deixei-me por ali a olhar

Sentado a sofrer a dor

 

Quando já ias distante

Que já não pudesses ver

Meu coração galopante

Deu vontade de correr

 

Atravessei-me no caminho

Pus-me perto para te ver

Olhaste-me com carinho

Quis nesse instante querer

 

Ser aquele que te abraça

Sonhar-te a cada momento

Ter comigo a tua graça

Partilha do sentimento

 

Voltei para a realidade

Forcei sonhos de paixão

Perdi a noção da idade

Fechei-me na vã ilusão

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sábado, 1 de Outubro de 2011
O teu sorriso

O teu sorriso, o teu andar

Que coisa linda, fico a pensar

Procuro-te longe, perto também

Quero-te sempre no meu coração

 

Olhar bonito, bonito de olhar

Corpo tão belo, que faz ofuscar

Outra mulher mais linda assim

Está p’ra nascer outra paixão

 

Minha promessa fica sem paga

Se eu te perco fico sem garra

O amor que tenho por ti me cega

Deixas-me preso nesta ilusão

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011
O som do sino

Quando o som do sino toca

Só penso que são as horas

Do tempo que ainda falta

Para tocarem por mim

 

Quando o som do sino toca

Já outros sinos tocaram:

Quando dei nome à mulher

Quando lhes dei baptismo

 

Quando o som do sino toca

Dá-me saudade e tristeza

Faz-me lembrar que já foi

Quem me deu um dia ser

 

Quando o som do sino toca

Ouço sempre em desatino

Que por tanto querer viver

Já não ouço o som do sino

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011
Mulher, mãe

Uma voz que a chama

Um sinal que lhe perdoa

Um olhar que a prende

A fala que atordoa

 

Um ser que acaba de ser

Que ainda não tem alma

Traz um sorriso na mãe

Num dia de muita calma

 

O Outono logo vem

O Inverno está a chegar

A Primavera rebenta

P’ra começar a chorar

 

Dois braços que a seguram

Quatro que a sustentam

Depressa se faz mulher

E nela outras rebentam

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011
Sorriso

Sorriso, eu quero um sorriso

Porque não consigo.

Com lábios caídos, sobrolho arqueado,

O meu sorriso é mal humorado.

Nem posso sequer deitar olho pró lado.

Sorriso faz-me sorrir.

Quero gargalhar, olhar sem pecar, troçar e brincar.

Sorriso, eu quero um sorriso

Singelo é o pedido que eu te faço.

Só basta que faças aquele traço.

Sorriso, eu quero um sorriso

Por que me amargas este semblante.

Sorriso, eu quero um sorriso

Quero sorrir o sorriso dantes

Quero só rir…

Mostrar para o mundo;

Como te era e te sorria antes

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011
Carnaval

A festa era nossa

Era sempre andar

Caíste p’ro lado

Puxei-te pela mão

Quiseste descer

Abracei-te então

 

Quiseste-me o corpo

A rodopiar

Quiseste ser minha

Para eu te amar

 

De corpo suado
De lábios rasgados
Fizemos amor,

Embriagados


Depois me disseste:
Carnaval é festa!
E... porquê esta?
Esta? Não presta

Quero-te séria
Quero-te a sentir
Amar-te sem máscara
E no fim sorrir.

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 15 de Julho de 2011
Sonhar

Quando o corpo cede ao pensamento

Acaricio e beijo-te, sinto o prazer

De amar o retrato à minha frente

Que outro não quero no momento

 

Perco o sentir, a noção do tempo

Estar contigo a teu lado e olhar

Ver para além dessa realidade

Sermos os dois nesse isolamento

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 1 de Julho de 2011
Ilusão

Aqueles que souberam e sentiram

A vontade do querer alguém amar

Deixaram na esperança de encontrar

As almas que eram suas e fugiram

 

Quiseram os sonhos não sonhados

Aventuras de corpos já perdidos

Em pedaços nus e iludidos, nas

Entranhas que nunca foram amadas

 

Quiseram o que a vida não lhes dava

Luxúria, vinho álcool, a droga

Machucar o amor na mesma corja

Apressando o fim em cada saga

 

Por fim, exaustos arrependidos

Como cães submissos aos seus donos

Lambiam os restos que lhes davam

Até que ao morrer foram perdidos

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
Desencontro

Descendo a viela

Cabelos à solta

Que linda vai ela

De perna bem feita

A saia que leva

Descobre-a singela

 

Atirada pr’a frente

Com passos seguros

Sorriso rasgado

De peito erguido

Procura o ausente

Que está perdido

 

Ao longe já vê

O seu namorado

Em breve se atira

Nos braços que é

O homem amado

 

Na luta que trava

Para lá chegar

Encontra uma outra

Que envolve o pescoço

De lábios colados

No homem do mar

 

Travando o andar

Fica parada

Vira-lhe as costas

Começa a chorar

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
Ficou a vontade de querer

Ficou a vontade de querer desde que me deixaste ver

o teu rosto iluminado.

 

Se soubesses como te amo e como te reclamo:

Sem vontade de comer fica-me a vontade de ter.

Quero alma de outro ser neste corpo inanimado.

Todos os dias jejuo, todas as horas padeço.

Solto ais de quem me dera.

Será que ainda te conheço?

 

Tomara que fosse verdade e que meu coração te ouvisse.

Tomara que ainda pudesse voltar a dizer-te um dia

aquilo que há muito já disse.

 

Palavras que nunca disse, já não tas posso dizer.

Não há força que as ice, nem força que as faça querer

As palavras do dever o tempo teima em levar

Obrigando-me a esquecer cicatrizes a sarar

 

Escolhido este destino fiz de mim o que não sou

Amar-te sem ter o tino e dar asas a quem voou.

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Domingo, 15 de Maio de 2011
Paixão

Da janela do meu quarto

Vejo a chuva que escorrega

Que compete na vidraça

P’ra saber quem tem mais raça

 

Da janela do meu quarto

Espremo o rosto p’ra te ver

Imagino os sonhos teus

Queria-os iguais aos meus

 

Da janela do meu quarto

Vivo momentos de dor

Ganho os dias a sofrer

Sei que não te vou ter

 

Da janela do meu quarto

Volto costas à condição

Mergulho na realidade

Nunca por minha vontade

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Domingo, 1 de Maio de 2011
Nó cego

Foi um dia de Primavera

Havia luz no firmamento

Nasceu vento que estivera

Adormecido no tempo

 

Nessa areia ainda quente

Onde o mar se espreguiçou

Ficou corpo, alma presente

Fogo bravo que me atiçou

 

Um ténue sabor da pele

Um cheiro doce de uma flor

Como é teu não me repele

Por lá ficou nosso amor

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 15 de Abril de 2011
Desgarrada

O som da viola

Um copo de vinho

A mulher de estola

O homem sozinho

 

O fado da vida

Uma vida em fado

Desgarrada erguida

De cara pró lado

 

Soltam-se palavras

Desferem-se estrofes

São como pedradas

Sem haver galhofes

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
Ruas Estreitas

Uma janela que corre

Uma porta que se abre

Um velho que não descobre

A fechadura da chave

 

Um gato que mia do alto

Um cão que rosna por baixo

Uma palavra de pranto

Mão que arremessa o tacho

 

Paredes finas demais

A confidência que passa

O amor que solta ais

A mulher que é desgraça

 

Na rua estreita e escura

Mora o pecado da mente

Homens vadios sem cura

Mulheres sem a semente

 

Entre sombra e claridade

Viu-a a primeira vez

Na sombra viu a beldade

Despida, em plena nudez

 

Foi nesse momento fatal

Que o desejo despertou

O corpo alvo e sensual

Da mulher que nunca amou

 

Olhou-a de cima a baixo

Com vontade, com fulgor

Seios fartos como cachos

Quis beijá-los sem pudor

 

Renunciou a vontade

Quando a viu fazer amor

Julgava que tinha idade

Para ver aquele horror

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Terça-feira, 15 de Março de 2011
Outros tempos

Os dias já não são os mesmos

E as noites?

Essas muito menos…

No céu já não vejo a tinta

A cor do crepúsculo é cinza

O ar que respiro deixou de ter

Aquele aroma de enlouquecer

 

Quando te esperava aqui

Sorria aguardando por ti

Quando vinhas e me davas

Alento, viver e concordavas

Que o amor era só nosso e

Que eu te dizia te gosto

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Terça-feira, 1 de Março de 2011
Livre

Perdido no mar

Perdido na terra

Perdido de andar

Perdido na serra

 

Agora que foi

Agora não volta

Agora que dói

Agora está solta

 

Livre de amarra

Livre de trela

Livre sem garra

Livre sem ela

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011
A morte

Finalmente soltaste as amarras da vida

Que chamavas de morte.

Finalmente calaste a voz de sofrimento

Que gritava noite e dia.

Finalmente largaste teu corpo inerte

Que te travava o pensamento;

De chegar mais longe

Olhar horizontes

Subir pelos montes.

 

Finalmente!

Levado pelo vento ou chuvadas de inverno?

Será que tu sobes ou vais para o inferno?

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011
A decisão

Acordo a sonhar

Com dores na cabeça

De tanto pensar

Que me fazes falta

Que a vida não presta

Que não quero viver

Já nada me resta

 

Contigo ausente

Agora para sempre

Falta-me o corpo

Falta-me a voz

Quando falavas

Quando me ouvias

Como pensavas

O que me dizias

 

Já sei que fazer

Estou decidido

Espera-me em breve

Que vou ter contigo

 

Meu amor eterno

Só quero coragem

Quero-te muito

Ando perdido

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sábado, 15 de Janeiro de 2011
Saíste de mim

A vida já não te queria

A neve cai sem parar

As nuvens cobrem o dia

As noites são de gelar

 

Por entre tantos ausentes

O vento te levará

A alma que te fez gente

O pó que resta por lá

 

Saudosa vai ser a vida

Por já não te poder ter

Mesmo de cabeça erguida

Nunca mais te vou esquecer

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sábado, 1 de Janeiro de 2011
Medo

A folha que cai

A nuvem que passa

O sol que se esconde

Chuva na vidraça

 

O dia que é noite

Parece ameaça

O mundo no fim

Vai ser a desgraça

 

Ouvem-se preces

De uma beata

Ouve-se o choro

De uma criança

 

Cruzam os braços

Apertam as mãos

Olhos ao céu

Com esperança

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010
Perdido

Perdido de corpo

Para esquecer

Veneno bebido

Que fiz aquecer

 

À luz de uma vela

Comemos as sobras

Bebemos o vinho

Cheio de borras

 

Falaste em silêncio

Trocámos olhares

Vi-te na sombra

Sem me chamares

 

Quase enlouqueci

Saltei para a sela

Deixei-me cair

Soltou-se a fivela

 

A luz apagou-se

Apagou-se a vela

Fiquei só comigo

Esperando por ela

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010
Amei você

Por detrás do vidro baço

Bateste manso e aguardaste...

Uma resposta,

Que alguém te abrisse a porta.

 

Trouxeste alegria; anunciaste

Que a felicidade está...

No coração.

No jeito do amor que dão,

Sem gratidão ou cobrança.

 

Palavras sábias, tão doces

Criaram a esperança,

Expectativa, emoção

Encheram-me de ilusão.

 

Somei, tirei, multipliquei

Fiz toda a operação e

Restou a conclusão:

 

Mesmo que fosse proibido,

Que nem fizesse sentido...

Amei você; quero perdão.

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
O sonho

O sonho que teve

Com ela a seu lado

Despertou-lhe o interesse

Por lhe ter tocado

 

Brincou com umbigo

Deu-lhe um afago

Sugou-lhe o mamilo

Mordeu-lhe um bocado

 

Prendeu-lhe uma mão

Puxou p'ra seu lado

Abrindo-lhe as coxas

Beijou com cuidado

 

Rebolou por cima

Ouviu um zumbido

Rebolou por baixo

Beijou-lhe o ouvido

 

Tocou a sineta

À hora marcada

Acabou-se o sonho

Afinal era nada

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010
O despertar

O relógio da natureza

Desperta a vontade de querer

Quando se desponta a flor

Que te quer ver e ter

Não basta que haja vontade

Nem que o caminho se abra

Num ápice e sem pudor

É preciso que te abras

De copo e alma sem rodeios

É preciso que te dês

Com carinho e muito amor

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010
Labuta

Franjas cinzentas

Horizonte perdido

Quebrado pelo monte

Que o deixa ferido

O sol aparece

Desperta a passarada

Os sonhos se quedam

Sem luta desejada

Ouvem-se os ossos

Um a um que estalem

Os dias começam

Que depressa acabem

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
Olhos nos olhos

Olhos nos olhos; quase perguntaste

Mas como sempre, sempre falhaste

Olhos nos olhos; corpo presente

Olhar distante com alma ausente

Foi assim mesmo, nunca falaste

Nem um só gesto modificaste

Olhos nos olhos; mas não me viste

Corpo encostado que não sentiste

Procuro nos traços do teu desenho

Traços marcados que são o desejo

De corpo e alma ver-te por dentro

Sentir-te por fora quando te beijo

Olhos nos olhos; quero a resposta

Onde estás tu quando te tenho?

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010
Desejos

Na casa de pedra

Varanda forrada

O sol de poente

E a luz torrada

 

Vi-te de perfil

Na ala encostada

Cabelos em fios

O vento soprava

 

Trazia perfumes

Que eu desejava

Falámos de nós

Falámos de nada

 

Do corpo que tinhas

Que me torturava

Não deste o que queria

Quase te matava

 

Apalpos e beijos

Não houve mais nada

Ficaram desejos

A noite chegava

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010
Só, no bar

De olhos abertos

Espanto de boca

Olhei-a de fome

Parei de beber

 

Sorriso de aviso

Fiquei a pensar

No gesto matreiro

Que ela me fez

 

Torci-me de lado

Para melhor ver

O passo apressado

Quase a correr

 

Disse-lhe baixinho

“Comia-te toda”

Mentira! E foi indo

“Dou-te uma foda”

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Domingo, 15 de Agosto de 2010
Somente só

Nunca mais soube de ti

Nem de ti nem de ninguém

Perdi-me na multidão

Encontrei a solidão

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
Indeciso

Ao indeciso

Falta-lhe tudo

Falta-lhe o guiso

Pancada nas costas

Falta-lhe a brisa

O vento que sopra

É agora que saltas

Larga as amarras

Volta ao início

Começa de novo

Morre que é tempo

Fica entalado

Ficaste de bruços

Desde há bocado

Nada de "crawl"

Vegetas na terra

Que nem caracol

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quinta-feira, 15 de Julho de 2010
Indiferença

Ser indiferente

Na alegria ou na sorte

No porte

Ou na sentença da morte

 

Ser indiferente

Vivendo como a escória

Sem glória

No tempo eterno da memória

 

Ser indiferente

No mundo de tantos iguais

Como pardais

Sem conhecer o que há mais

 

Ser indiferente

É o que resta, baixar a testa

E já não presta

Porque indiferente é ser obediente

Eternamente

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 30 de Junho de 2010
Anoiteceu

Cabeça pendente

Braços caídos

Olhar ausente

Diz que não sente

O corpo que traz

A força que faz

Tropeça e não cai

Ouve-se um “Ui”

Por pouco caía

Por pouco que cai

Por muito caiu

E nem disse “Ai”

 

Dois braços seguram

Um corpo que é mole

Um corpo matado

Um dono que é morto

Por ser mal-amado 

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Terça-feira, 15 de Junho de 2010
A graça da Engrácia

Descia a calçada

De ombro desnudo

A saia subida

Que nada tapava

 

Cabeça erguida

Peito empinado

Olhar fugidio

Descia a calçada

 

Ai que boa que és…

Comia-te toda…

Que bocas foleiras

Da homenzarrada

 

Seguiu indiferente

Descendo a calçada

Encolheu os ombros

Já tem um cliente

 

Atira-lhe beijos

Sacode os cabelos

Abre-lhe o corpo

Sacia desejos

 

Que linda que estava

Que grande postura

Vai longe a putéfia

Dissera a velhada 

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Domingo, 30 de Maio de 2010
A Linha

Gerou-se uma linha

Que em breve cresceu

Enquanto se alinha

Já que se obrigava

Alinhando sofreu

 

Sem medo que parta

A linha sem graça

Ficou sem a linha

Sem sombra de linha

A linha que tinha

 

Que fina era a linha

Que se desgastava

A linha que foi

A quem se encostou

Que agora não sabe

Da linha que amou 

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sábado, 15 de Maio de 2010
A semente

A semente que me deixaste

Reguei-a com todo o carinho
Brotaram folhas e ramos
Como quem faz um ninho
 
Emaranhadas pelo tempo
Assim os anos passaram
Vieram ainda mais ramos
E as flores desabrocharam
 
Com belas cores e perfumes
Insectos as cortejaram
Colheram seu doce néctar

E mais sementes vieram

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
O canto do galo

Um galo que sempre canta:

Porque canta? A quem canta?
Já o vi livre, já o vi preso.
Sempre canta… Porque canta?
 
Deste lugar solitário
Quero cantar também
Onde as grades que me prendem
Amordaçam o meu canto

Que as minhas palavras têm

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quinta-feira, 15 de Abril de 2010
Um ano passado

Um ano corrido

Sem nada pra ver
Um ano findado
Sem nunca te ter
Falaste comigo
Disseste-me: Amigo…
Depois que te disse:
Não te vou esquecer
Desejo-te ter,
E muito te amar
Depois fiquei só
E na taça peguei
Com ela brindei
Um ano passado
Sempre a imaginar
Contigo a meu lado
No fim dos festejos
Por culpa de alguém
Que amigo não sei
Fiquei a chorar

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Terça-feira, 30 de Março de 2010
Que destino o meu

No leito que não tem jeito

Obrigam-me a repousar
Sinto que o tempo se esgota
Que o perco na presença
Da tristeza de quem se esforça
Sorrindo para não chorar
 
Nos dias que vão e voltam
Peço que no tempo volte
A alegria que me foge
O amor que não quer voltar

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Segunda-feira, 15 de Março de 2010
Abandono

Viraste-me um dia o rosto

Quando eu passei por ti
Quiseste que eu te visse
Que sofresse o que sofri
 
Amargurado da vida
Da vida que não vivi…
Contigo ela foi vivida
Essa vida que perdi
 
Jamais poderei voltar
Jamais te quero a meu lado
Nunca mais voltarei a dar
Tudo o que te tenho dado

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Domingo, 28 de Fevereiro de 2010
A nuvem

A nuvem que agora passa

Deixa marcas de saudade…
Lembro-me daquele tempo
Que disseste que me amavas.
 
Logo que a chuva veio
Foi quando te vi perder
Por entre as águas revoltas
Num rio que vi nascer
 
Clamo de dia e de noite
Pelo amor que já perdi
Por ti clamo o dia inteiro
Sentindo o que não senti

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010
A loucura

Disseste-me um dia que a loucura me invade.

Disseste-me porque não sabes como a amo.
É como uma tempestade que enfurece
Que não se vê, mas que aparece.
É em transe de louco que a quero
Que a desejo, que a beijo e que a aperto
Até que a paz e o corpo nos amoleça
E nos deixe como no deserto.
Sou maluco por uma coisa que não posso ter
Nem ver, nem querer, nem falar, mas sim amar.
Quero vê-la, imaginá-la enquanto estou a pensar
Amar em silêncio, falar em pensamento
Querê-la para dentro e não mais a soltar.

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sábado, 30 de Janeiro de 2010
Solta-me

Solta-me os sonhos que tenho

Das amarras que são tuas
Liberta o amor que me tens
Dá-lhe rédeas para me amar
Tira a trela e o açaime
Vamos correr pela areia
Fazer amor pelo mar.

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010
Recordo

Teus braços como gavinhas

Teu corpo que serpenteia

Teu rosto macio, sedoso

Meu corpo no teu semeia

 

Sussurros de palavras doces

Promessas de amor eterno

Até que o sonho não finde

Que o dia já é de inverno

 

Na primavera da vida

Tive-te no verde campo

Teus olhos humedeceram

Ficaram com mais encanto

 

Depois, no cair da tarde

Nasce uma chama que arde

Rubis, papoilas abertas

À noite que me entontece

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
Morro de saudade

Depois de me empanturrar com tanta comida e doces

Depois de me carregares com tantas prendas
Depois de tudo isto e mais que não me lembro
Depois de me sentir feliz com tantas dádivas,
De tantas felicidades e tantas prosperidades
Depois de tudo isso que me deste nesta época festiva
Só me resta agradecer-te e dizer o quanto és especial para mim.
Depois dos consolos carnais já poderei morrer
E um rèquiem me acompanhará até à sepultura.
Aí, a minha alma terá a paz que o meu corpo não teve.
Lá, ficará escrito em epitáfio "Estou morto de saudade".
De saudade dos meus amigos, mas principalmente de ti.

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
A tua imagem

O teu sorriso não é mais

Do que um esboço batido
Na pintura que te faço
Nos traços que dormem comigo
 
Todos os dias com ternura
Fico à espera do teu abraço
Que me beijes com loucura
Quando na tela eu passo
 
Teus olhos já não me vêem
Beijar teus lábios, sustenho
No amor eles não crêem

Que ainda tanto te tenho

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Pedido

Ó vento que sopras alto

Traz contigo companhia
Nuvens negras, chuva fresca
Que regue as terras secas
Onde sementes esperam
Verdejar as planícies
Encher os olhos de flores
Trazer a frescura do tempo
Sussurros de verdes folhas
Encanto dos meus amores

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Domingo, 15 de Novembro de 2009
E tudo acabou

Como se mais nada houvesse

Foi assim que disseste
Que tudo acabasse
E tudo acabou
Porque quis que soubesses
Que soube de ti
Foi assim que deixaste
Que tudo acabasse
E tudo acabou
Porque assim o quiseste
Deixei de falar, ouvir e de ver
Deixei de te ter
E tudo acabou
Perdi a saudade
O amor que me deste
A ilusão de te ter
E tudo acabou

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Tristeza

Ao invés de ti

Que louco não sou
Os amigos perdi.
Não enlouqueci.
Deram-me a sentença
Não ter a presença
Nem sequer amar.
Que fim este...
Que é meu sem o querer
Que tristeza...
Deixar este mundo
Porque vou morrer
Sem nada levar.

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
Recordações

Enquanto passava o tempo

Mais tempo eu recordava
Que ao tempo já se falava
No tempo em que ela andava
De amores por entre as flores
Que ele sempre mandava
 
Era porque lhe sorria
Era porque vinha formosa
Também porque lhe abriu
Seu coração que era meu

Dizendo-lhe que era amorosa

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Disfarce

Sorrisos amargos

Por entre branduras
Disfarces que fazes
Nas tuas ternuras
São golpes de amor
Que dizes que fazes
 
Que fazes à noite
De tarde também
Porque já não sabes
Que nome ele tem
 
Não importa o nome
Nem mesmo quem é
Para quê saber?
Para quê sonhar?
Não te vale querer
Já que vais chorar

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Sombras do passado

Homens carentes de amor
Marinheiros esfomeados
Aguardam a tua chegada
Para beber, apressados
O néctar da tua flor.

 

Largas sementes de amor
Que as espalhas de par em par
Regando-as com sangue vindo,
Sugado do teu coração
Ardendo em pura paixão.
 
Ó ninfa cheia de encantos
Ó musa de inspiração
Que entontece com prantos
Qual sereia da perdição.
 
Por que espalhas o teu amor
Neste palco de luta e dor?
Queres-me aqui para confronto?
Queres vencer o "Adamastor"?

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Domingo, 30 de Agosto de 2009
Pedidos

Acorda!

Vem sentir o vento que sopra
Cheirar o cheiro do mar
Sentir salpicos salgados
Molhar os pés, refrescar
 
Levanta-te!
Vem sentir o sol a queimar
No rosto, no corpo, bronzear.
Vem pela areia rebolar
Sentir as ondas do mar
 
Vem!
Vem pela areia molhada
Correr, passear de mão dada
Sentir nosso corpo arfar
Na emoção de namorar
 
Liberta-te!
Vem conhecer o amor
Que tanto te quero dar
Nas dunas de areia quente

Que nos andam a chamar

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sábado, 15 de Agosto de 2009
A dúvida
Se eu fosse um adivinho
Certamente sem o tino
Deixaria que acontecesse…
Meu amor como te amo…
 
Se eu pudesse descobrir
Que nunca irias fingir
Faria que acontecesse…
Meu amor, como te amo…
 
Sei que dirás: - é devaneio
Se não, largaria o receio
Fosse o que acontecesse…
Meu amor, como te amo…
 
Por teus lábios desejados
Nos breves beijos tocados
Digo-te: - antes morresse…

Meu amor, como te amo…

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
O fim anunciado

O princípio do fim há muito que começou

Paixões que acabaram
Palavras que findaram
Olhos que cegaram
Corpos que se afastaram
Sonhos que não sonharam…
 
Até que do tudo,
Que era tudo menos nada,
Nada ficou.
 
Hoje foi mais um dia
Que ao fim se juntou…
Sem que nada houvesse
Vieste para dizer: Acabou!

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Lembrei-me de ti

Meu amor,

Hoje lembrei-me de ti.
Talvez porque estou doente e isso me faz lembrar que as tuas mãos me dariam as carícias de que tanto anseio.
Hoje lembrei-me de ti.
Nos meus sonhos e devaneios próprios de uma cabeça febril.
Hoje lembrei-me de ti.
De como seria bom sentir a pele do teu rosto.
Hoje lembrei-me de ti.
Porque imaginei os beijos que nunca demos.
Hoje lembrei-me de ti.
Porque o amor despertou em mim depois de tanto tempo abandonado.
Hoje lembrei-me de ti.
Porque o sono que se me apodera faz-me apetecer deitar-me no teu colo.
Hoje lembrei-me de ti.
E pensar como seria bom não acordar depois de adormecer a pensar em ti

Meu amor… Hoje lembrei-me de ti.

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Talvez

De frente

E de vez
Olhos nos olhos
Disseste-me…
Talvez…
 
O que sentes
O que sentiste uma vez
Que o amor
Que por mim tiveste
Não foi sensatez?
 
Será que quiseste
Tudo deixar
No amor
Que não te levou a amar
Por amar?
 
Olhos nos olhos
De frente
E de vez
Será que algum dia
Voltarás a dizer…

Talvez!

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
O Tempo

No tempo em que o tempo sobrava

Encontrei a minha amada
No tempo em que nada havia
Além do tempo que amava
 
Foi o tempo que me ensinou
Na tristeza e na alegria
Que ao tempo se deve dar
Tempo que baste a sobrar
 
Perdido no tempo que tinha
Perdido nessa imensidão
Deixei que o tempo levasse
O meu amor sem perdão
 
No tempo que o vento faz
O vento traz a tristeza
O vento leva a saudade
Do tempo que foi sobrado
 
Se o vento parar no tempo
Faz como manda o vento
Manda saudades do tempo
Agora que só há lamento

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Hino a finado

O tempo é curto

Já não sinto nada
Fiquei-me de luto
Perdi minha amada
 
O tempo escasseia
Formigam-me os pés
Sem sangue na veia
Já não sei quem és
 
Sorriso malvado
Guardas com desdém
De cara para o lado
Já não sou ninguém
 
Encurta-me o tempo
Com tempo de sobra
Melhor, num repente
Morrer era obra

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Erotismo

No íntimo do pensamento

Está presente uma aventura
Mergulhar-me no teu ventre
Descobrir o amor que tens
Que me faz de ti carente
Nas ternuras me deleito
Delícia de efémeros desejos
No teu corpo belo e perfeito
Sacio teu peito de beijos
Em sussurros ouço acordes:
“Meu amor faz-me carícias
Meu amor aperta forte
Encosta a tua boca e suga

Faz-me perder o Norte”

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Palavras

Não foi na delicadeza das palavras

Que me viste como alguém que conheceste

Não foi com a delicadeza que pretendi
Recuperar a alegria que já tiveste
As sementes que te lancei ao vento
Nunca tiveram abundância de flores
Nem frutos perfumando teus passeios
Foram sempre as palavras que te disse

Foram sempre palavras que nunca ouviste
Noutros tempos em tempo de devaneios

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Quarta-feira, 15 de Abril de 2009
O grito da metade

Tu ficaste e assim fiquei

A ver-te no mar ao luar
Que de longe ele vinha
Do lugar onde te tinha
 
A metade de ti era só
O grito que sempre ouvi
Que o silêncio perturbou
Até que tudo acabou
 
Não há metade sem outra
Nem gritos nem o silêncio
A nossa amizade era pouca
E além do mais era louca
 
Tu ficaste e assim fiquei
Esperando noites sem fim
Memórias e loucas paixões
Moribundas e vãs ilusões
 
Não há metade sem outra
Até que um dia ficou
Comigo outra amizade
Uma outra sem a metade

© Augusto Brilhante Ribeiro


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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 17:00
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Sexta-feira, 27 de Março de 2009
Respondo-te que

 Para além do que disseste

Discordo que assim seja
O amor nem sempre julga
Julgando mais quem deseja
 
Ao amor nada se doa
Se soubermos perdoar e
É quando o amor nos dói
Que então sabemos amar
 
Por fim e determinante
Fica bem contigo assim
Que eu ficarei também
Longe de ti doravante

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Quarta-feira, 18 de Março de 2009
A Partida

 

Tu, que eras só ternura
Que ardias amor por fora
Que me queimavas por dentro
Porque partiste, mulher?
Escondida nas palavras
Dizes-me o que não quero
Falas-me de outro amor
Que outro já não espero
A fortuna do amante
Guardo-a na minha mão
Quanta tristeza eu sinto
Por te saber ausente
No meio da multidão
Hoje, solitário navegante
Sem rumo, sem empenho
Sem te ter mais a meu lado
Parto ao encontro de nada
Que nada é tudo o que tenho
Resto ainda e quero dizer
Que estou diferente
Sisudo, triste e ausente
Que penso e não me sei conter
De noite fico nostálgico
Durmo a pensar em ti
De manhã acordo cedo…
Não me sais do pensamento
Neste suspiro de vida
Nesta luta desigual
Cruel, injusta e sem sentido
Quero!
Pois claro que quero
Sentir e ouvir teu pranto
Quero que me perdoes
Por te ter amado tanto

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 6 de Março de 2009
Insónias
Nas longas noites de insónia
Procuro e olho o teu retrato…
Meu amor, como era bom
Entre nós haver um pacto
 
Hoje encheste-me a alma
Com tanta imaginação…
Fiquei sem dizer palavra
Murmurei nossa Oração
 
A ti só te posso enviar
Estas palavras que sinto
Desejos de te abraçar
Um corpo frio que minto
 
Porque quiseste partir
Se havia tanto para dar?
Tanto amor adormecido
Tanta coisa pr’a contar
 
Que faço mais por aqui?
Ajuda-me, vem cá buscar
Esta alma que se perde
Perdendo-se por te amar

© Augusto Brilhante Ribeiro


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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 20:20
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
O desejo
Era cedo ainda te ouvia
Arfante no respirar
Era cedo, já eu saía
Sem saber quando voltar
 
Levava comigo a saudade
O amor que não te dera
P’ra noutro lugar deixar?
 
Dois braços abertos; esperança?
Um peito nu a despontar
Que me obrigou a voltar
 
Parei no tempo e olhei-te
Foi então que acordaste
Com vontade de me beijar
 
Sorri quando me chamaste
Querendo que o amor ficasse
Dentro de ti a chocar
 
Em teu corpo desnudado
Macio, belo, perfumado
Deixei-te marcas de paixão
 
Lutas de mim ardente
No regalo do teu ventre
Nas carícias do teu peito
 
Queria amar, amar, amar
Em tuas formas curvejar
Com sôfregos ais de ilusão
 
Restou-me ainda o ensejo
Nos afagos de teus lábios
Marcar o desejo dum beijo
Com vontade de voltar
© Augusto Brilhante Ribeiro

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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 22:00
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
Mia

Mia minha, bela e doce

Que demos tanto o amor

E por amor me abandonaste
Por troca de outra vida
Que na vida me trocaste
 
Vou ter de te procurar,
Porque já não sei de ti…
Fugiste-me por entre os dedos
Como areia que se escapa
Perdi-te, já não sei a data.
 
Vou ter de te procurar…
Ai esta saudade que mata,
Lembrança de outros dias.
Do tempo em que o tempo gasta
Das palavras que me dizias.
 
Vou ter de te procurar…
Como morro, sem te ver,
Da falta que o amor me faz,
Dos teus murmúrios gemidos
No calor do nosso amor
Que deste e já não me dás.

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Meu tormento

Foge o sentido das palavras

A luz que ilumina
Corpo que se curva
Pernas que fraquejam
Não há vontade de viver
Faltam palavras para escrever
Que dizer, que fazer
Se querendo nem há querer
As noites que são eternas
Não são para ter
Os dias de tormentos
Esquecer lamentos
Onde está?
Como está?
Não sabe o mar
Nem o vento saberá

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009
Volta !

Teus beijos foram encantos

Que jamais posso esquecer
Foram beijos que os guardo
Que recordo para sempre
Que quero voltar a ter
 
Tuas palavras tão meigas
Tuas carícias serão
E tua voz que não ouço
Aguardo-a com desespero
Como faminto por pão
 
Teu afago que anseio
Teu corpo que me aqueceu
Minha alma entristecida
Causa alegre que não veio
 
Volta! Suplico-te sem pudor
Dou-te a ternura que foi
Motivo para te amar

Volta para mim meu amor

 

 © Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008
Fazes-me falta

Já me faltam as palavras

A dor que sinto e os ais
Que já não suspiro por ti
Porque doeu demais.
 
Já me faltam pensamentos
Do que pensei a mais
Velhos lamentos ditados
Que eram eles os tais
 
Já me falta a inspiração
Estou decerto aqui a mais
Tenho dor no coração
Sinto que não me amais
 
Viver por viver sem mais
Vale morrer a pensar
Não, nem nunca jamais
Ter-te sem te poder amar
© Augusto Brilhante Ribeiro

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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
Sonhos

 

Saber que te quero dar
Meus sonhos
Saber que não te posso dar
O meu amor
Fico a sonhar
Parado a escutar
Teus lábios que murmuram
Teus olhos a brilhar.
 
Pena que não sejam meus
Os braços que te abraçam
Os lábios que te beijam
O corpo que te aquece
Nos gestos que te enlouquece

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Não me deixes

Meu amor

 

Diz que me amas
Em cada instante
Que te faço falta
Que te pertenço
Que sou teu
Que me entonteces
Que se morreres
Morres por mim
 
Meu amor
Quero-te tanto
Que a própria vida em ti sustento

Porque te tenho em pensamento

 © Augusto Brilhante Ribeiro


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Sábado, 15 de Novembro de 2008
Reflexão

Soberbo…

Erguido, destemido
Enfrenta a fúria
Lamentos da incúria
Perdido de amores
Sonhador…
Tristeza da incerteza
Do seu amor
Que foi e não é
Melhor que fora o que não foi
Carrasco…
Cabeça despedaçada
Perdera em luta inglória
O seu amor

A sua amada

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sábado, 8 de Novembro de 2008
Esse amor

 

Quando o amor é grande

Se é verdadeiro ama-se e

Sofre-se sem sentir a dor
É esse amor, meu amor

Esse amor
Que me amordaça
Que me faz sentir criança
Que me tira a esperança
Esse amor idolatrado
Que me coloca de lado

Por quê amor?
Porque tão só me deixou?
Porque me quer torturar?

Por quê amor?
Porque me quer abandonar?
Se tenho tanto para amar

Por quê amor?
Se já sofro
e sofrendo não sinto dor 

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008
Perdi-te

Procurei-te dias e dias a fio

Sem nunca te poder encontrar

Adormeci só, sempre com frio
Sonhei que te estava a amar

 

 

 

O teu aroma já não perdura
Da maresia da tua concha
Da frescura que ainda dura
Do sabor de saber que é tua

 


Porquê? Para quê?
Levá-lo comigo
Tê-lo contigo
Cheirá-lo agora, amanhã, depois
O aroma que tens
Que eu quero e não vens

 

 © Augusto Brilhante Ribeiro


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Domingo, 19 de Outubro de 2008
Gaivota da ria

Minha gaivota amada

Que voas por essa ria
Abre as frondosas asas
Dança-me a dança do amor
Rodopia por entre as nuvens
Pousa na areia e aprecia
Ensina-me como devo amar
 
Por entre colinas e montes
Anseio teus doces carinhos
A tua ternura, os mimos
Nos escombros ao luar
 
Quero voar contigo
Quero ser o teu amigo
Quero o calor que preciso
Neste coração vadio
Que não sabe onde parar
 
Por entre a espuma do mar
Quero mergulhar mar adentro
Quero-me preso ao teu bico
E de lá não me soltar
 
Gaivota, querida amiga
Conta-me como têm sido
As aventuras que tens
Conta-me o que tens visto

Lá do alto sempre a voar

 © Augusto Brilhante Ribeiro


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Sábado, 13 de Setembro de 2008
Um tempo de nada

Ela acabara de sair

Ele, prestes a entrar
Cruzaram olhares
O mundo parou…
Rosto caído
Amargurado
Perfume de mulher
Não havia nada
Ele sorriu-lhe
Ela sorriu…
Envergonhada
Baixaram os olhos
Aconteceu nada
No espaço sem tempo
Pintaram o amor
Que ele queria
Que ela desejava
Sem saber porquê…
Ela esperou
Ele bebeu
Por ali ficou
Depois saiu lesto
Bateu na vidraça
Ela saiu
Pulou-lhe nos braços
Ele beijou
Num tempo de nada
Em que nada acontece
Ela abraçou
Depois que acordaram
Não se eram nada
Ela saiu
Ele entrou
E o mundo parado

Parado ficou

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

 


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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008
Viver

Viver sem saber o que fazer

É sofrer por não te ver
É querer por te perder
E não te ter
 
Que o tempo que passou
Me deixa aquela saudade
Da ternura e amizade
Tão breve que me marcou
 
Hoje não posso deixar
De te dizer quanto quero
Quanto amor de ti espero
No teu corpo despejar
 
Nos teus lábios e no peito
À noite quando adormeço
O meu pró teu humedeço
E no teu colo me deleito 

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008
Socorro!

Socorro!

Não estou sentindo nada.

 

Era assim que começava,

Mas deixou de o ser

Já não me lembro de nada

Porque o fiz desaparecer.

 

Agora fica mais belo,

O socorro que foi meu

Agora que vá pró Inferno

Que não seja meu nem teu

 

Posso dizer que já foi,

Que amo outras palavras

Não quero saber de ti

Posso dizer-te bem alto:

 

Saíste de mim

 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
O castigo

 Na música que eu te canto

De amor cego que te embala
A melodia é o meu pranto
O acorde, tristeza que fala
 
Ah, como é grande o mar
Sentir como sinto a tua falta,
Carinho que perdi sem volta,
Amor que ficou sem amar
 
Esse mar que nos separa, castiga
A alma que me pena a vida
A falta da palavra, intriga
Tenho-te, mas estás perdida
 
Teu corpo acaricio em sonhos
Tua boca sacio com beijos
Adormeço em ti aconchegado
Acordo no feitiço de desejos 

© Augusto Brilhante Ribeiro


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Sexta-feira, 18 de Julho de 2008
Olhar o mar

Ah, como é triste olhar o mar

Ver-te nas ondas a rebentar
Sentir como sinto a tua falta
O carinho que perdi sem volta
O amor que ficou sem amar
 
Ah, como é triste olhar o mar
Este mar que nos faz separar
Que me traz doces recordações
Ao sentir o cheiro de paixões
Quando nos víamos ao luar
 
Ah, como é triste olhar o mar
Procurar e não te encontrar
Sentir que te sinto perdida
Amar-te, amar-te toda a vida
Querer ver-te e não te olhar
 
Ah, como é triste olhar o mar
Ficar ali para te encontrar
De dia, à noite nos escombros
Teu corpo acariciar em sonhos
Mergulhar em ti para te amar 

© Augusto Brilhante Ribeiro


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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 18:40
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008
Só para ti

 Só... Simplesmente!

Deves saber.
Que não, não te morri.
Estou aqui, acolá, ali...
Só... Só para ti.
Simplesmente só.
Bela, singela... Quem?
Amo ela!
Só..!?
Tu também!?
Mais ninguém?
Ninguém mais... Só?
Porquê?
Só tu sabes amar assim... 

© Augusto Brilhante Ribeiro


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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 22:55
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008
Lembranças

Muito além de todas as lembranças...

Fico a pensar nas que já esqueci

Que me fizeste esquecer

Não por querer

Mas que não as querias ter

Porque te vi

Quase senti

A morrer

E eu a ver

Que não me querias ter

 

Muito além de todas as lembranças...

Fiquei sem ti, sem te esquecer

Porque te quero ter

Para te ver

Sentir

E depois morrer 

 

Muito além de todas as lembranças...

Fica o que não presta
Cabeça louca
Tontas mentiras
Fantasias
Alma rasgada
Amores de uma amada
Fica o que resta,
Que resta nada.
© Augusto Brilhante Ribeiro

 


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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 23:02
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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008
Se…?!
Se o teu olhar um dia se cruzar com o meu
Se o que me dizes te direi também
Se as palavras as guardares no coração
Se a tua alma morrer de paixão
Se o teu amor fizer amor com o meu
Se o que é teu e meu nosso será
 
Se…?!
 
Se assim for meu amor
Baixarei as guardas
Dir-te-ei o que penso
Dar-te-ei o meu pulsar
Não me calarei a falar
Dar-te-ei o que falta
Só para te dar
O amor que baste
Só para te amar 
© Augusto Brilhante Ribeiro

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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 22:45
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Quinta-feira, 1 de Maio de 2008
Que...
Que o amor que te corre
Que o sabor dos teus lábios
Que o cheiro que exalas
Que o pulsar do teu peito
 
Que o que corre é amor
Que os lábios têm sabor
Que exala o teu cheiro
Que o teu peito a pulsar
 
Que me faz pensar
Que hoje te quero
Que te quero amar 
© Augusto Brilhante Ribeiro

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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 00:32
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
Ventos do amor
Que os ventos se encarreguem
Sem que dês conta a brincar
Carícias que não te posso dar
Prazeres infinitos perdidos
Beijos que não foram idos
Aguardo faminto que cheguem
Perfumes tontos sem pudor
Com aromas de dormir
Me levem ao desejo de ir
Perder-me perdidamente
Mergulhar-me no teu ventre
Nas fantasias do amor 
© Augusto Brilhante Ribeiro

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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 18:50
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
Chorei
A tristeza
Sinto-a à minha frente
Na mesa
No quarto
 
Quando passaste por mim
Deixaste
No corredor a tristeza
A falta do teu amor
 
Quero os teus beijos
Enlouquecidos
Nos desejos
 
Quiseste que fosse assim
Deixaste
Eu fiquei
 
Mudaste e não te lembraste
Da tristeza
Porque foi triste e não viste

Chorei 

 

 

 

© Augusto Brilhante Ribeiro

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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 11:40
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Música anos 40
arquivos

Saudade do encontro

O recado

A nossa Lua

Dois amores

O Nosso Balanço

Nada

Senti-te

Quero ver o mar

Grito de esperança

Pouco importa

Kity

Donzela

É tudo sonhos

Sacola de sonhos

Esperei por ti

O teu sorriso

O som do sino

Mulher, mãe

Sorriso

Carnaval

Sonhar

Ilusão

Desencontro

Ficou a vontade de querer

Paixão

Nó cego

Desgarrada

Ruas Estreitas

Outros tempos

Livre

A morte

A decisão

Saíste de mim

Medo

Perdido

Amei você

O sonho

O despertar

Labuta

Olhos nos olhos

Desejos

Só, no bar

Somente só

Indeciso

Indiferença

Anoiteceu

A graça da Engrácia

A Linha

A semente

O canto do galo