Domingo, 15 de Janeiro de 2012
Grito de esperança
Parece que finalmente
Poderei mesmo concluir
Que tudo acabou entre nós,
Que desta foi para sempre
Durante este tempo todo
Perdi-me de amores contigo;
Só vivo a pensar em ti.
Fui iludido. Sou um tolo
Não! Não consigo entender
Se eu nem te queria ter,
Apenas de ti receber
Mimos de enternecer.
Que é feito? Que achais
Daquela amizade que nos uniu?
Que é feito dos carinhos
Que enchiam os postais?
Fazes as pazes comigo?
Devolveste-me o silêncio.
Mesmo assim amo-te muito,
Mesmo com tudo perdido
© Augusto Brilhante Ribeiro
Domingo, 1 de Janeiro de 2012
Pouco importa
O teu ciúme agonia-me
Perco vontade de viver
Sabendo que pensas em ti
Estando eu prestes a morrer
Tão louco foi esse amor
De profundo enternecer
Como ousaste criar dúvida?
Dizer fui; sem nunca o ser
A penumbra da agonia
Que o tempo já não me cobra
O consentimento da vida
Pouco importa se já sobra
Quadras que rimam sem nexo
Palavras de pouco sentido
Frases soltas que se perdem
Na memória de não ter sido
A incerteza nos dias
Angústia, fúria talvez
Tudo fizeste na vida
Para acabar de vez
Vem, lua nova vem
Apaga a luz que me resta
Traz-me o amor de além
Que este, já vi, não presta
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
Kity
Oh! Que imagem, que cor…
Esse lugar onde a luz que sobrava fazia reflexos.
Não havia dor, frio calor ou míngua de amor…
Foi assim que a vi, iluminada, posta de lado.
Com aquela luz que me penetrava o corpo.
Com aquele sorriso que me dava tudo a troco de nada…
Oh! Que imagem, sei-a de cor…
Quando a tarde adormecia, o sol, mal posto ainda a via.
O vento batia-lhe no rosto com lufadas breves.
Porém, numa sina de tristeza ficou envolta pela escuridão.
Foi então que acompanhou a natureza, deixando-me a solidão.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011
Donzela
Donzela de corpo e alma
Já sabe do que é capaz
No espelho fita com calma
No vestir é bem audaz
Corpo magro e esticado
Cabelo ruivo a esvoaçar
Passo largo e ritmado
Vai prá rua passear
A inveja que ela faz
À velha lá na calçada
Dá gozo ao velho sagaz
Ver-lhe a saia arregaçada
Espreitam prá ver de frente
Olham prá ver de trás
Suspiram desejos de mente
Que o corpo já nada faz
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
É tudo sonhos
Sonhos. É tudo sonhos, é tudo ilusão.
A minha fantasia, este querer, esta vontade:
Ter asas para voar.
Um dia ter-te, subir no ar para te amar.
Sonhos. Sonhar os sonhos e acordar só, sem te tocar.
É uma loucura.
É tudo sonhos.
A minha alegria é sonhar-te em fantasia.
Sonhos. É tudo sonhos. Ver-te tão triste morrer em sonhos.
Acordar no sonho e querer continuar.
Sonhos. É tudo sonhos viver no sonho de te amar
Sonhos. É tudo sonhos.
Ter-te p'ra mim, sonhar sem sonho
Querer por fim sonhar amar-te sem sonhar
Sonhos. É tudo sonhos...
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 1 de Novembro de 2011
Sacola de sonhos
Um sorriso de criança
Um pedir tudo do mundo
Inocência, breve lembrança
Um tesouro na sacola
Carregado de esperança
Um dia pôs a cartola
Um riso com alegria
Com gargalhada franca
Matreiro no outro dia
Que mata, mas não espanca
Como cresceu o rapaz…
Que homem se fez depressa.
Vai ser um doutor de paz
Chamado juiz, ora essa!
Na luta do dia-a-dia
Encontrou a bela Inês.
O amor que ele pedia
Nunca ela o satisfez.
Encontrou a bela Aurora
O mesmo a ele lhe fez.
Trocou-a por uma Isaura
Perdendo-a no mesmo mês.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sábado, 15 de Outubro de 2011
Esperei por ti
Vi-te um dia a passear
Abraçada pelo teu amor
Deixei-me por ali a olhar
Sentado a sofrer a dor
Quando já ias distante
Que já não pudesses ver
Meu coração galopante
Deu vontade de correr
Atravessei-me no caminho
Pus-me perto para te ver
Olhaste-me com carinho
Quis nesse instante querer
Ser aquele que te abraça
Sonhar-te a cada momento
Ter comigo a tua graça
Partilha do sentimento
Voltei para a realidade
Forcei sonhos de paixão
Perdi a noção da idade
Fechei-me na vã ilusão
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sábado, 1 de Outubro de 2011
O teu sorriso
O teu sorriso, o teu andar
Que coisa linda, fico a pensar
Procuro-te longe, perto também
Quero-te sempre no meu coração
Olhar bonito, bonito de olhar
Corpo tão belo, que faz ofuscar
Outra mulher mais linda assim
Está p’ra nascer outra paixão
Minha promessa fica sem paga
Se eu te perco fico sem garra
O amor que tenho por ti me cega
Deixas-me preso nesta ilusão
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011
O som do sino
Quando o som do sino toca
Só penso que são as horas
Do tempo que ainda falta
Para tocarem por mim
Quando o som do sino toca
Já outros sinos tocaram:
Quando dei nome à mulher
Quando lhes dei baptismo
Quando o som do sino toca
Dá-me saudade e tristeza
Faz-me lembrar que já foi
Quem me deu um dia ser
Quando o som do sino toca
Ouço sempre em desatino
Que por tanto querer viver
Já não ouço o som do sino
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011
Mulher, mãe
Uma voz que a chama
Um sinal que lhe perdoa
Um olhar que a prende
A fala que atordoa
Um ser que acaba de ser
Que ainda não tem alma
Traz um sorriso na mãe
Num dia de muita calma
O Outono logo vem
O Inverno está a chegar
A Primavera rebenta
P’ra começar a chorar
Dois braços que a seguram
Quatro que a sustentam
Depressa se faz mulher
E nela outras rebentam
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011
Sorriso
Sorriso, eu quero um sorriso
Porque não consigo.
Com lábios caídos, sobrolho arqueado,
O meu sorriso é mal humorado.
Nem posso sequer deitar olho pró lado.
Sorriso faz-me sorrir.
Quero gargalhar, olhar sem pecar, troçar e brincar.
Sorriso, eu quero um sorriso
Singelo é o pedido que eu te faço.
Só basta que faças aquele traço.
Sorriso, eu quero um sorriso
Por que me amargas este semblante.
Sorriso, eu quero um sorriso
Quero sorrir o sorriso dantes
Quero só rir…
Mostrar para o mundo;
Como te era e te sorria antes
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011
Carnaval
A festa era nossa
Era sempre andar
Caíste p’ro lado
Puxei-te pela mão
Quiseste descer
Abracei-te então
Quiseste-me o corpo
A rodopiar
Quiseste ser minha
Para eu te amar
De corpo suado
De lábios rasgados
Fizemos amor,
Embriagados
Depois me disseste:
Carnaval é festa!
E... porquê esta?
Esta? Não presta
Quero-te séria
Quero-te a sentir
Amar-te sem máscara
E no fim sorrir.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 15 de Julho de 2011
Sonhar
Quando o corpo cede ao pensamento
Acaricio e beijo-te, sinto o prazer
De amar o retrato à minha frente
Que outro não quero no momento
Perco o sentir, a noção do tempo
Estar contigo a teu lado e olhar
Ver para além dessa realidade
Sermos os dois nesse isolamento
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 1 de Julho de 2011
Ilusão
Aqueles que souberam e sentiram
A vontade do querer alguém amar
Deixaram na esperança de encontrar
As almas que eram suas e fugiram
Quiseram os sonhos não sonhados
Aventuras de corpos já perdidos
Em pedaços nus e iludidos, nas
Entranhas que nunca foram amadas
Quiseram o que a vida não lhes dava
Luxúria, vinho álcool, a droga
Machucar o amor na mesma corja
Apressando o fim em cada saga
Por fim, exaustos arrependidos
Como cães submissos aos seus donos
Lambiam os restos que lhes davam
Até que ao morrer foram perdidos
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
Desencontro
Descendo a viela
Cabelos à solta
Que linda vai ela
De perna bem feita
A saia que leva
Descobre-a singela
Atirada pr’a frente
Com passos seguros
Sorriso rasgado
De peito erguido
Procura o ausente
Que está perdido
Ao longe já vê
O seu namorado
Em breve se atira
Nos braços que é
O homem amado
Na luta que trava
Para lá chegar
Encontra uma outra
Que envolve o pescoço
De lábios colados
No homem do mar
Travando o andar
Fica parada
Vira-lhe as costas
Começa a chorar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
Ficou a vontade de querer
Ficou a vontade de querer desde que me deixaste ver
o teu rosto iluminado.
Se soubesses como te amo e como te reclamo:
Sem vontade de comer fica-me a vontade de ter.
Quero alma de outro ser neste corpo inanimado.
Todos os dias jejuo, todas as horas padeço.
Solto ais de quem me dera.
Será que ainda te conheço?
Tomara que fosse verdade e que meu coração te ouvisse.
Tomara que ainda pudesse voltar a dizer-te um dia
aquilo que há muito já disse.
Palavras que nunca disse, já não tas posso dizer.
Não há força que as ice, nem força que as faça querer
As palavras do dever o tempo teima em levar
Obrigando-me a esquecer cicatrizes a sarar
Escolhido este destino fiz de mim o que não sou
Amar-te sem ter o tino e dar asas a quem voou.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Domingo, 15 de Maio de 2011
Paixão
Da janela do meu quarto
Vejo a chuva que escorrega
Que compete na vidraça
P’ra saber quem tem mais raça
Da janela do meu quarto
Espremo o rosto p’ra te ver
Imagino os sonhos teus
Queria-os iguais aos meus
Da janela do meu quarto
Vivo momentos de dor
Ganho os dias a sofrer
Sei que não te vou ter
Da janela do meu quarto
Volto costas à condição
Mergulho na realidade
Nunca por minha vontade
© Augusto Brilhante Ribeiro
Domingo, 1 de Maio de 2011
Nó cego
Foi um dia de Primavera
Havia luz no firmamento
Nasceu vento que estivera
Adormecido no tempo
Nessa areia ainda quente
Onde o mar se espreguiçou
Ficou corpo, alma presente
Fogo bravo que me atiçou
Um ténue sabor da pele
Um cheiro doce de uma flor
Como é teu não me repele
Por lá ficou nosso amor
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 15 de Abril de 2011
Desgarrada
O som da viola
Um copo de vinho
A mulher de estola
O homem sozinho
O fado da vida
Uma vida em fado
Desgarrada erguida
De cara pró lado
Soltam-se palavras
Desferem-se estrofes
São como pedradas
Sem haver galhofes
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
Ruas Estreitas
Uma janela que corre
Uma porta que se abre
Um velho que não descobre
A fechadura da chave
Um gato que mia do alto
Um cão que rosna por baixo
Uma palavra de pranto
Mão que arremessa o tacho
Paredes finas demais
A confidência que passa
O amor que solta ais
A mulher que é desgraça
Na rua estreita e escura
Mora o pecado da mente
Homens vadios sem cura
Mulheres sem a semente
Entre sombra e claridade
Viu-a a primeira vez
Na sombra viu a beldade
Despida, em plena nudez
Foi nesse momento fatal
Que o desejo despertou
O corpo alvo e sensual
Da mulher que nunca amou
Olhou-a de cima a baixo
Com vontade, com fulgor
Seios fartos como cachos
Quis beijá-los sem pudor
Renunciou a vontade
Quando a viu fazer amor
Julgava que tinha idade
Para ver aquele horror
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 15 de Março de 2011
Outros tempos
Os dias já não são os mesmos
E as noites?
Essas muito menos…
No céu já não vejo a tinta
A cor do crepúsculo é cinza
O ar que respiro deixou de ter
Aquele aroma de enlouquecer
Quando te esperava aqui
Sorria aguardando por ti
Quando vinhas e me davas
Alento, viver e concordavas
Que o amor era só nosso e
Que eu te dizia te gosto
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 1 de Março de 2011
Livre
Perdido no mar
Perdido na terra
Perdido de andar
Perdido na serra
Agora que foi
Agora não volta
Agora que dói
Agora está solta
Livre de amarra
Livre de trela
Livre sem garra
Livre sem ela
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011
A morte
Finalmente soltaste as amarras da vida
Que chamavas de morte.
Finalmente calaste a voz de sofrimento
Que gritava noite e dia.
Finalmente largaste teu corpo inerte
Que te travava o pensamento;
De chegar mais longe
Olhar horizontes
Subir pelos montes.
Finalmente!
Levado pelo vento ou chuvadas de inverno?
Será que tu sobes ou vais para o inferno?
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011
A decisão
Acordo a sonhar
Com dores na cabeça
De tanto pensar
Que me fazes falta
Que a vida não presta
Que não quero viver
Já nada me resta
Contigo ausente
Agora para sempre
Falta-me o corpo
Falta-me a voz
Quando falavas
Quando me ouvias
Como pensavas
O que me dizias
Já sei que fazer
Estou decidido
Espera-me em breve
Que vou ter contigo
Meu amor eterno
Só quero coragem
Quero-te muito
Ando perdido
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sábado, 15 de Janeiro de 2011
Saíste de mim
A vida já não te queria
A neve cai sem parar
As nuvens cobrem o dia
As noites são de gelar
Por entre tantos ausentes
O vento te levará
A alma que te fez gente
O pó que resta por lá
Saudosa vai ser a vida
Por já não te poder ter
Mesmo de cabeça erguida
Nunca mais te vou esquecer
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sábado, 1 de Janeiro de 2011
Medo
A folha que cai
A nuvem que passa
O sol que se esconde
Chuva na vidraça
O dia que é noite
Parece ameaça
O mundo no fim
Vai ser a desgraça
Ouvem-se preces
De uma beata
Ouve-se o choro
De uma criança
Cruzam os braços
Apertam as mãos
Olhos ao céu
Com esperança
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010
Perdido
Perdido de corpo
Para esquecer
Veneno bebido
Que fiz aquecer
À luz de uma vela
Comemos as sobras
Bebemos o vinho
Cheio de borras
Falaste em silêncio
Trocámos olhares
Vi-te na sombra
Sem me chamares
Quase enlouqueci
Saltei para a sela
Deixei-me cair
Soltou-se a fivela
A luz apagou-se
Apagou-se a vela
Fiquei só comigo
Esperando por ela
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010
Amei você
Por detrás do vidro baço
Bateste manso e aguardaste...
Uma resposta,
Que alguém te abrisse a porta.
Trouxeste alegria; anunciaste
Que a felicidade está...
No coração.
No jeito do amor que dão,
Sem gratidão ou cobrança.
Palavras sábias, tão doces
Criaram a esperança,
Expectativa, emoção
Encheram-me de ilusão.
Somei, tirei, multipliquei
Fiz toda a operação e
Restou a conclusão:
Mesmo que fosse proibido,
Que nem fizesse sentido...
Amei você; quero perdão.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
O sonho
O sonho que teve
Com ela a seu lado
Despertou-lhe o interesse
Por lhe ter tocado
Brincou com umbigo
Deu-lhe um afago
Sugou-lhe o mamilo
Mordeu-lhe um bocado
Prendeu-lhe uma mão
Puxou p'ra seu lado
Abrindo-lhe as coxas
Beijou com cuidado
Rebolou por cima
Ouviu um zumbido
Rebolou por baixo
Beijou-lhe o ouvido
Tocou a sineta
À hora marcada
Acabou-se o sonho
Afinal era nada
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010
O despertar
O relógio da natureza
Desperta a vontade de querer
Quando se desponta a flor
Que te quer ver e ter
Não basta que haja vontade
Nem que o caminho se abra
Num ápice e sem pudor
É preciso que te abras
De copo e alma sem rodeios
É preciso que te dês
Com carinho e muito amor
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010
Labuta
Franjas cinzentas
Horizonte perdido
Quebrado pelo monte
Que o deixa ferido
O sol aparece
Desperta a passarada
Os sonhos se quedam
Sem luta desejada
Ouvem-se os ossos
Um a um que estalem
Os dias começam
Que depressa acabem
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
Olhos nos olhos
Olhos nos olhos; quase perguntaste
Mas como sempre, sempre falhaste
Olhos nos olhos; corpo presente
Olhar distante com alma ausente
Foi assim mesmo, nunca falaste
Nem um só gesto modificaste
Olhos nos olhos; mas não me viste
Corpo encostado que não sentiste
Procuro nos traços do teu desenho
Traços marcados que são o desejo
De corpo e alma ver-te por dentro
Sentir-te por fora quando te beijo
Olhos nos olhos; quero a resposta
Onde estás tu quando te tenho?
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010
Desejos
Na casa de pedra
Varanda forrada
O sol de poente
E a luz torrada
Vi-te de perfil
Na ala encostada
Cabelos em fios
O vento soprava
Trazia perfumes
Que eu desejava
Falámos de nós
Falámos de nada
Do corpo que tinhas
Que me torturava
Não deste o que queria
Quase te matava
Apalpos e beijos
Não houve mais nada
Ficaram desejos
A noite chegava
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010
Só, no bar
De olhos abertos
Espanto de boca
Olhei-a de fome
Parei de beber
Sorriso de aviso
Fiquei a pensar
No gesto matreiro
Que ela me fez
Torci-me de lado
Para melhor ver
O passo apressado
Quase a correr
Disse-lhe baixinho
“Comia-te toda”
Mentira! E foi indo
“Dou-te uma foda”
© Augusto Brilhante Ribeiro
Domingo, 15 de Agosto de 2010
Somente só
Nunca mais soube de ti
Nem de ti nem de ninguém
Perdi-me na multidão
Encontrei a solidão
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
Indeciso
Ao indeciso
Falta-lhe tudo
Falta-lhe o guiso
Pancada nas costas
Falta-lhe a brisa
O vento que sopra
É agora que saltas
Larga as amarras
Volta ao início
Começa de novo
Morre que é tempo
Fica entalado
Ficaste de bruços
Desde há bocado
Nada de "crawl"
Vegetas na terra
Que nem caracol
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 15 de Julho de 2010
Indiferença
Ser indiferente
Na alegria ou na sorte
No porte
Ou na sentença da morte
Ser indiferente
Vivendo como a escória
Sem glória
No tempo eterno da memória
Ser indiferente
No mundo de tantos iguais
Como pardais
Sem conhecer o que há mais
Ser indiferente
É o que resta, baixar a testa
E já não presta
Porque indiferente é ser obediente
Eternamente
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 30 de Junho de 2010
Anoiteceu
Cabeça pendente
Braços caídos
Olhar ausente
Diz que não sente
O corpo que traz
A força que faz
Tropeça e não cai
Ouve-se um “Ui”
Por pouco caía
Por pouco que cai
Por muito caiu
E nem disse “Ai”
Dois braços seguram
Um corpo que é mole
Um corpo matado
Um dono que é morto
Por ser mal-amado
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 15 de Junho de 2010
A graça da Engrácia
Descia a calçada
De ombro desnudo
A saia subida
Que nada tapava
Cabeça erguida
Peito empinado
Olhar fugidio
Descia a calçada
Ai que boa que és…
Comia-te toda…
Que bocas foleiras
Da homenzarrada
Seguiu indiferente
Descendo a calçada
Encolheu os ombros
Já tem um cliente
Atira-lhe beijos
Sacode os cabelos
Abre-lhe o corpo
Sacia desejos
Que linda que estava
Que grande postura
Vai longe a putéfia
Dissera a velhada
© Augusto Brilhante Ribeiro
Domingo, 30 de Maio de 2010
A Linha
Gerou-se uma linha
Que em breve cresceu
Enquanto se alinha
Já que se obrigava
Alinhando sofreu
Sem medo que parta
A linha sem graça
Ficou sem a linha
Sem sombra de linha
A linha que tinha
Que fina era a linha
Que se desgastava
A linha que foi
A quem se encostou
Que agora não sabe
Da linha que amou
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sábado, 15 de Maio de 2010
A semente
A semente que me deixaste
Reguei-a com todo o carinho
Brotaram folhas e ramos
Como quem faz um ninho
Emaranhadas pelo tempo
Assim os anos passaram
Vieram ainda mais ramos
E as flores desabrocharam
Com belas cores e perfumes
Insectos as cortejaram
Colheram seu doce néctar
E mais sementes vieram
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
O canto do galo
Um galo que sempre canta:
Porque canta? A quem canta?
Já o vi livre, já o vi preso.
Sempre canta… Porque canta?
Deste lugar solitário
Quero cantar também
Onde as grades que me prendem
Amordaçam o meu canto
Que as minhas palavras têm
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 15 de Abril de 2010
Um ano passado
Um ano corrido
Sem nada pra ver
Um ano findado
Sem nunca te ter
Falaste comigo
Disseste-me: Amigo…
Depois que te disse:
Não te vou esquecer
Desejo-te ter,
E muito te amar
Depois fiquei só
E na taça peguei
Com ela brindei
Um ano passado
Sempre a imaginar
Contigo a meu lado
No fim dos festejos
Por culpa de alguém
Que amigo não sei
Fiquei a chorar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 30 de Março de 2010
Que destino o meu
No leito que não tem jeito
Obrigam-me a repousar
Sinto que o tempo se esgota
Que o perco na presença
Da tristeza de quem se esforça
Sorrindo para não chorar
Nos dias que vão e voltam
Peço que no tempo volte
A alegria que me foge
O amor que não quer voltar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 15 de Março de 2010
Abandono
Viraste-me um dia o rosto
Quando eu passei por ti
Quiseste que eu te visse
Que sofresse o que sofri
Amargurado da vida
Da vida que não vivi…
Contigo ela foi vivida
Essa vida que perdi
Jamais poderei voltar
Jamais te quero a meu lado
Nunca mais voltarei a dar
Tudo o que te tenho dado
© Augusto Brilhante Ribeiro
Domingo, 28 de Fevereiro de 2010
A nuvem
A nuvem que agora passa
Deixa marcas de saudade…
Lembro-me daquele tempo
Que disseste que me amavas.
Logo que a chuva veio
Foi quando te vi perder
Por entre as águas revoltas
Num rio que vi nascer
Clamo de dia e de noite
Pelo amor que já perdi
Por ti clamo o dia inteiro
Sentindo o que não senti
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010
A loucura
Disseste-me um dia que a loucura me invade.
Disseste-me porque não sabes como a amo.
É como uma tempestade que enfurece
Que não se vê, mas que aparece.
É em transe de louco que a quero
Que a desejo, que a beijo e que a aperto
Até que a paz e o corpo nos amoleça
E nos deixe como no deserto.
Sou maluco por uma coisa que não posso ter
Nem ver, nem querer, nem falar, mas sim amar.
Quero vê-la, imaginá-la enquanto estou a pensar
Amar em silêncio, falar em pensamento
Querê-la para dentro e não mais a soltar.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sábado, 30 de Janeiro de 2010
Solta-me
Solta-me os sonhos que tenho
Das amarras que são tuas
Liberta o amor que me tens
Dá-lhe rédeas para me amar
Tira a trela e o açaime
Vamos correr pela areia
Fazer amor pelo mar.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010
Recordo
Teus braços como gavinhas
Teu corpo que serpenteia
Teu rosto macio, sedoso
Meu corpo no teu semeia
Sussurros de palavras doces
Promessas de amor eterno
Até que o sonho não finde
Que o dia já é de inverno
Na primavera da vida
Tive-te no verde campo
Teus olhos humedeceram
Ficaram com mais encanto
Depois, no cair da tarde
Nasce uma chama que arde
Rubis, papoilas abertas
À noite que me entontece
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
Morro de saudade
Depois de me empanturrar com tanta comida e doces
Depois de me carregares com tantas prendas
Depois de tudo isto e mais que não me lembro
Depois de me sentir feliz com tantas dádivas,
De tantas felicidades e tantas prosperidades
Depois de tudo isso que me deste nesta época festiva
Só me resta agradecer-te e dizer o quanto és especial para mim.
Depois dos consolos carnais já poderei morrer
E um rèquiem me acompanhará até à sepultura.
Aí, a minha alma terá a paz que o meu corpo não teve.
Lá, ficará escrito em epitáfio "Estou morto de saudade".
De saudade dos meus amigos, mas principalmente de ti.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
A tua imagem
O teu sorriso não é mais
Do que um esboço batido
Na pintura que te faço
Nos traços que dormem comigo
Todos os dias com ternura
Fico à espera do teu abraço
Que me beijes com loucura
Quando na tela eu passo
Teus olhos já não me vêem
Beijar teus lábios, sustenho
No amor eles não crêem
Que ainda tanto te tenho
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Pedido
Ó vento que sopras alto
Traz contigo companhia
Nuvens negras, chuva fresca
Que regue as terras secas
Onde sementes esperam
Verdejar as planícies
Encher os olhos de flores
Trazer a frescura do tempo
Sussurros de verdes folhas
Encanto dos meus amores
© Augusto Brilhante Ribeiro
Domingo, 15 de Novembro de 2009
E tudo acabou
Como se mais nada houvesse
Foi assim que disseste
Que tudo acabasse
E tudo acabou
Porque quis que soubesses
Que soube de ti
Foi assim que deixaste
Que tudo acabasse
E tudo acabou
Porque assim o quiseste
Deixei de falar, ouvir e de ver
Deixei de te ter
E tudo acabou
Perdi a saudade
O amor que me deste
A ilusão de te ter
E tudo acabou
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Tristeza
Ao invés de ti
Que louco não sou
Os amigos perdi.
Não enlouqueci.
Deram-me a sentença
Não ter a presença
Nem sequer amar.
Que fim este...
Que é meu sem o querer
Que tristeza...
Deixar este mundo
Porque vou morrer
Sem nada levar.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
Recordações
Enquanto passava o tempo
Mais tempo eu recordava
Que ao tempo já se falava
No tempo em que ela andava
De amores por entre as flores
Que ele sempre mandava
Era porque lhe sorria
Era porque vinha formosa
Também porque lhe abriu
Seu coração que era meu
Dizendo-lhe que era amorosa
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Disfarce
Sorrisos amargos
Por entre branduras
Disfarces que fazes
Nas tuas ternuras
São golpes de amor
Que dizes que fazes
Que fazes à noite
De tarde também
Porque já não sabes
Que nome ele tem
Não importa o nome
Nem mesmo quem é
Para quê saber?
Para quê sonhar?
Não te vale querer
Já que vais chorar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Sombras do passado
Homens carentes de amor
Marinheiros esfomeados
Aguardam a tua chegada
Para beber, apressados
O néctar da tua flor.
Largas sementes de amor
Que as espalhas de par em par
Regando-as com sangue vindo,
Sugado do teu coração
Ardendo em pura paixão.
Ó ninfa cheia de encantos
Ó musa de inspiração
Que entontece com prantos
Qual sereia da perdição.
Por que espalhas o teu amor
Neste palco de luta e dor?
Queres-me aqui para confronto?
Queres vencer o "Adamastor"?
© Augusto Brilhante Ribeiro
Domingo, 30 de Agosto de 2009
Pedidos
Acorda!
Vem sentir o vento que sopra
Cheirar o cheiro do mar
Sentir salpicos salgados
Molhar os pés, refrescar
Levanta-te!
Vem sentir o sol a queimar
No rosto, no corpo, bronzear.
Vem pela areia rebolar
Sentir as ondas do mar
Vem!
Vem pela areia molhada
Correr, passear de mão dada
Sentir nosso corpo arfar
Na emoção de namorar
Liberta-te!
Vem conhecer o amor
Que tanto te quero dar
Nas dunas de areia quente
Que nos andam a chamar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sábado, 15 de Agosto de 2009
A dúvida
Se eu fosse um adivinho
Certamente sem o tino
Deixaria que acontecesse…
Meu amor como te amo…
Se eu pudesse descobrir
Que nunca irias fingir
Faria que acontecesse…
Meu amor, como te amo…
Sei que dirás: - é devaneio
Se não, largaria o receio
Fosse o que acontecesse…
Meu amor, como te amo…
Por teus lábios desejados
Nos breves beijos tocados
Digo-te: - antes morresse…
Meu amor, como te amo…
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
O fim anunciado
O princípio do fim há muito que começou
Paixões que acabaram
Palavras que findaram
Olhos que cegaram
Corpos que se afastaram
Sonhos que não sonharam…
Até que do tudo,
Que era tudo menos nada,
Nada ficou.
Hoje foi mais um dia
Que ao fim se juntou…
Sem que nada houvesse
Vieste para dizer: Acabou!
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Lembrei-me de ti
Meu amor,
Hoje lembrei-me de ti.
Talvez porque estou doente e isso me faz lembrar que as tuas mãos me dariam as carícias de que tanto anseio.
Hoje lembrei-me de ti.
Nos meus sonhos e devaneios próprios de uma cabeça febril.
Hoje lembrei-me de ti.
De como seria bom sentir a pele do teu rosto.
Hoje lembrei-me de ti.
Porque imaginei os beijos que nunca demos.
Hoje lembrei-me de ti.
Porque o amor despertou em mim depois de tanto tempo abandonado.
Hoje lembrei-me de ti.
Porque o sono que se me apodera faz-me apetecer deitar-me no teu colo.
Hoje lembrei-me de ti.
E pensar como seria bom não acordar depois de adormecer a pensar em ti
Meu amor… Hoje lembrei-me de ti.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Talvez
De frente
E de vez
Olhos nos olhos
Disseste-me…
Talvez…
O que sentes
O que sentiste uma vez
Que o amor
Que por mim tiveste
Não foi sensatez?
Será que quiseste
Tudo deixar
No amor
Que não te levou a amar
Por amar?
Olhos nos olhos
De frente
E de vez
Será que algum dia
Voltarás a dizer…
Talvez!
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
O Tempo
No tempo em que o tempo sobrava
Encontrei a minha amada
No tempo em que nada havia
Além do tempo que amava
Foi o tempo que me ensinou
Na tristeza e na alegria
Que ao tempo se deve dar
Tempo que baste a sobrar
Perdido no tempo que tinha
Perdido nessa imensidão
Deixei que o tempo levasse
O meu amor sem perdão
No tempo que o vento faz
O vento traz a tristeza
O vento leva a saudade
Do tempo que foi sobrado
Se o vento parar no tempo
Faz como manda o vento
Manda saudades do tempo
Agora que só há lamento
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Hino a finado
O tempo é curto
Já não sinto nada
Fiquei-me de luto
Perdi minha amada
O tempo escasseia
Formigam-me os pés
Sem sangue na veia
Já não sei quem és
Sorriso malvado
Guardas com desdém
De cara para o lado
Já não sou ninguém
Encurta-me o tempo
Com tempo de sobra
Melhor, num repente
Morrer era obra
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Erotismo
No íntimo do pensamento
Está presente uma aventura
Mergulhar-me no teu ventre
Descobrir o amor que tens
Que me faz de ti carente
Nas ternuras me deleito
Delícia de efémeros desejos
No teu corpo belo e perfeito
Sacio teu peito de beijos
Em sussurros ouço acordes:
“Meu amor faz-me carícias
Meu amor aperta forte
Encosta a tua boca e suga
Faz-me perder o Norte”
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Palavras
Não foi na delicadeza das palavras
Que me viste como alguém que conheceste
Não foi com a delicadeza que pretendi
Recuperar a alegria que já tiveste
As sementes que te lancei ao vento
Nunca tiveram abundância de flores
Nem frutos perfumando teus passeios
Foram sempre as palavras que te disse
Foram sempre palavras que nunca ouviste
Noutros tempos em tempo de devaneios
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 15 de Abril de 2009
O grito da metade
Tu ficaste e assim fiquei
A ver-te no mar ao luar
Que de longe ele vinha
Do lugar onde te tinha
A metade de ti era só
O grito que sempre ouvi
Que o silêncio perturbou
Até que tudo acabou
Não há metade sem outra
Nem gritos nem o silêncio
A nossa amizade era pouca
E além do mais era louca
Tu ficaste e assim fiquei
Esperando noites sem fim
Memórias e loucas paixões
Moribundas e vãs ilusões
Não há metade sem outra
Até que um dia ficou
Comigo outra amizade
Uma outra sem a metade
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 27 de Março de 2009
Respondo-te que
Para além do que disseste
Discordo que assim seja
O amor nem sempre julga
Julgando mais quem deseja
Ao amor nada se doa
Se soubermos perdoar e
É quando o amor nos dói
Que então sabemos amar
Por fim e determinante
Fica bem contigo assim
Que eu ficarei também
Longe de ti doravante
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quarta-feira, 18 de Março de 2009
A Partida
Tu, que eras só ternura
Que ardias amor por fora
Que me queimavas por dentro
Porque partiste, mulher?
Escondida nas palavras
Dizes-me o que não quero
Falas-me de outro amor
Que outro já não espero
A fortuna do amante
Guardo-a na minha mão
Quanta tristeza eu sinto
Por te saber ausente
No meio da multidão
Hoje, solitário navegante
Sem rumo, sem empenho
Sem te ter mais a meu lado
Parto ao encontro de nada
Que nada é tudo o que tenho
Resto ainda e quero dizer
Que estou diferente
Sisudo, triste e ausente
Que penso e não me sei conter
De noite fico nostálgico
Durmo a pensar em ti
De manhã acordo cedo…
Não me sais do pensamento
Neste suspiro de vida
Nesta luta desigual
Cruel, injusta e sem sentido
Quero!
Pois claro que quero
Sentir e ouvir teu pranto
Quero que me perdoes
Por te ter amado tanto
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 6 de Março de 2009
Insónias
Nas longas noites de insónia
Procuro e olho o teu retrato…
Meu amor, como era bom
Entre nós haver um pacto
Hoje encheste-me a alma
Com tanta imaginação…
Fiquei sem dizer palavra
Murmurei nossa Oração
A ti só te posso enviar
Estas palavras que sinto
Desejos de te abraçar
Um corpo frio que minto
Porque quiseste partir
Se havia tanto para dar?
Tanto amor adormecido
Tanta coisa pr’a contar
Que faço mais por aqui?
Ajuda-me, vem cá buscar
Esta alma que se perde
Perdendo-se por te amar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
O desejo
Era cedo ainda te ouvia
Arfante no respirar
Era cedo, já eu saía
Sem saber quando voltar
Levava comigo a saudade
O amor que não te dera
P’ra noutro lugar deixar?
Dois braços abertos; esperança?
Um peito nu a despontar
Que me obrigou a voltar
Parei no tempo e olhei-te
Foi então que acordaste
Com vontade de me beijar
Sorri quando me chamaste
Querendo que o amor ficasse
Dentro de ti a chocar
Em teu corpo desnudado
Macio, belo, perfumado
Deixei-te marcas de paixão
Lutas de mim ardente
No regalo do teu ventre
Nas carícias do teu peito
Queria amar, amar, amar
Em tuas formas curvejar
Com sôfregos ais de ilusão
Restou-me ainda o ensejo
Nos afagos de teus lábios
Marcar o desejo dum beijo
Com vontade de voltar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
Mia
Mia minha, bela e doce
Que demos tanto o amor
E por amor me abandonaste
Por troca de outra vida
Que na vida me trocaste
Vou ter de te procurar,
Porque já não sei de ti…
Fugiste-me por entre os dedos
Como areia que se escapa
Perdi-te, já não sei a data.
Vou ter de te procurar…
Ai esta saudade que mata,
Lembrança de outros dias.
Do tempo em que o tempo gasta
Das palavras que me dizias.
Vou ter de te procurar…
Como morro, sem te ver,
Da falta que o amor me faz,
Dos teus murmúrios gemidos
No calor do nosso amor
Que deste e já não me dás.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Meu tormento
Foge o sentido das palavras
A luz que ilumina
Corpo que se curva
Pernas que fraquejam
Não há vontade de viver
Faltam palavras para escrever
Que dizer, que fazer
Se querendo nem há querer
As noites que são eternas
Não são para ter
Os dias de tormentos
Esquecer lamentos
Onde está?
Como está?
Não sabe o mar
Nem o vento saberá
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009
Volta !
Teus beijos foram encantos
Que jamais posso esquecer
Foram beijos que os guardo
Que recordo para sempre
Que quero voltar a ter
Tuas palavras tão meigas
Tuas carícias serão
E tua voz que não ouço
Aguardo-a com desespero
Como faminto por pão
Teu afago que anseio
Teu corpo que me aqueceu
Minha alma entristecida
Causa alegre que não veio
Volta! Suplico-te sem pudor
Dou-te a ternura que foi
Motivo para te amar
Volta para mim meu amor
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008
Fazes-me falta
Já me faltam as palavras
A dor que sinto e os ais
Que já não suspiro por ti
Porque doeu demais.
Já me faltam pensamentos
Do que pensei a mais
Velhos lamentos ditados
Que eram eles os tais
Já me falta a inspiração
Estou decerto aqui a mais
Tenho dor no coração
Sinto que não me amais
Viver por viver sem mais
Vale morrer a pensar
Não, nem nunca jamais
Ter-te sem te poder amar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
Sonhos
Saber que te quero dar
Meus sonhos
Saber que não te posso dar
O meu amor
Fico a sonhar
Parado a escutar
Teus lábios que murmuram
Teus olhos a brilhar.
Pena que não sejam meus
Os braços que te abraçam
Os lábios que te beijam
O corpo que te aquece
Nos gestos que te enlouquece
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Não me deixes
Meu amor
Diz que me amas
Em cada instante
Que te faço falta
Que te pertenço
Que sou teu
Que me entonteces
Que se morreres
Morres por mim
Meu amor
Quero-te tanto
Que a própria vida em ti sustento
Porque te tenho em pensamento
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sábado, 15 de Novembro de 2008
Reflexão
Soberbo…
Erguido, destemido
Enfrenta a fúria
Lamentos da incúria
Perdido de amores
Sonhador…
Tristeza da incerteza
Do seu amor
Que foi e não é
Melhor que fora o que não foi
Carrasco…
Cabeça despedaçada
Perdera em luta inglória
O seu amor
A sua amada
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sábado, 8 de Novembro de 2008
Esse amor
Quando o amor é grande
Se é verdadeiro ama-se e
Sofre-se sem sentir a dor
É esse amor, meu amor
Esse amor
Que me amordaça
Que me faz sentir criança
Que me tira a esperança
Esse amor idolatrado
Que me coloca de lado
Por quê amor?
Porque tão só me deixou?
Porque me quer torturar?
Por quê amor?
Porque me quer abandonar?
Se tenho tanto para amar
Por quê amor?
Se já sofro
e sofrendo não sinto dor
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008
Perdi-te
Procurei-te dias e dias a fio
Sem nunca te poder encontrar
Adormeci só, sempre com frio
Sonhei que te estava a amar
O teu aroma já não perdura
Da maresia da tua concha
Da frescura que ainda dura
Do sabor de saber que é tua
Porquê? Para quê?
Levá-lo comigo
Tê-lo contigo
Cheirá-lo agora, amanhã, depois
O aroma que tens
Que eu quero e não vens
© Augusto Brilhante Ribeiro
Domingo, 19 de Outubro de 2008
Gaivota da ria
Minha gaivota amada
Que voas por essa ria
Abre as frondosas asas
Dança-me a dança do amor
Rodopia por entre as nuvens
Pousa na areia e aprecia
Ensina-me como devo amar
Por entre colinas e montes
Anseio teus doces carinhos
A tua ternura, os mimos
Nos escombros ao luar
Quero voar contigo
Quero ser o teu amigo
Quero o calor que preciso
Neste coração vadio
Que não sabe onde parar
Por entre a espuma do mar
Quero mergulhar mar adentro
Quero-me preso ao teu bico
E de lá não me soltar
Gaivota, querida amiga
Conta-me como têm sido
As aventuras que tens
Conta-me o que tens visto
Lá do alto sempre a voar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sábado, 13 de Setembro de 2008
Um tempo de nada
Ela acabara de sair
Ele, prestes a entrar
Cruzaram olhares
O mundo parou…
Rosto caído
Amargurado
Perfume de mulher
Não havia nada
Ele sorriu-lhe
Ela sorriu…
Envergonhada
Baixaram os olhos
Aconteceu nada
No espaço sem tempo
Pintaram o amor
Que ele queria
Que ela desejava
Sem saber porquê…
Ela esperou
Ele bebeu
Por ali ficou
Depois saiu lesto
Bateu na vidraça
Ela saiu
Pulou-lhe nos braços
Ele beijou
Num tempo de nada
Em que nada acontece
Ela abraçou
Depois que acordaram
Não se eram nada
Ela saiu
Ele entrou
E o mundo parado
Parado ficou
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008
Viver
Viver sem saber o que fazer
É sofrer por não te ver
É querer por te perder
E não te ter
Que o tempo que passou
Me deixa aquela saudade
Da ternura e amizade
Tão breve que me marcou
Hoje não posso deixar
De te dizer quanto quero
Quanto amor de ti espero
No teu corpo despejar
Nos teus lábios e no peito
À noite quando adormeço
O meu pró teu humedeço
E no teu colo me deleito
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008
Socorro!
Socorro!
Não estou sentindo nada.
Era assim que começava,
Mas deixou de o ser
Já não me lembro de nada
Porque o fiz desaparecer.
Agora fica mais belo,
O socorro que foi meu
Agora que vá pró Inferno
Que não seja meu nem teu
Posso dizer que já foi,
Que amo outras palavras
Não quero saber de ti
Posso dizer-te bem alto:
Saíste de mim
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
O castigo
Na música que eu te canto
De amor cego que te embala
A melodia é o meu pranto
O acorde, tristeza que fala
Ah, como é grande o mar
Sentir como sinto a tua falta,
Carinho que perdi sem volta,
Amor que ficou sem amar
Esse mar que nos separa, castiga
A alma que me pena a vida
A falta da palavra, intriga
Tenho-te, mas estás perdida
Teu corpo acaricio em sonhos
Tua boca sacio com beijos
Adormeço em ti aconchegado
Acordo no feitiço de desejos
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 18 de Julho de 2008
Olhar o mar
Ah, como é triste olhar o mar
Ver-te nas ondas a rebentar
Sentir como sinto a tua falta
O carinho que perdi sem volta
O amor que ficou sem amar
Ah, como é triste olhar o mar
Este mar que nos faz separar
Que me traz doces recordações
Ao sentir o cheiro de paixões
Quando nos víamos ao luar
Ah, como é triste olhar o mar
Procurar e não te encontrar
Sentir que te sinto perdida
Amar-te, amar-te toda a vida
Querer ver-te e não te olhar
Ah, como é triste olhar o mar
Ficar ali para te encontrar
De dia, à noite nos escombros
Teu corpo acariciar em sonhos
Mergulhar em ti para te amar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 10 de Julho de 2008
Só para ti
Só... Simplesmente!
Deves saber.
Que não, não te morri.
Estou aqui, acolá, ali...
Só... Só para ti.
Simplesmente só.
Bela, singela... Quem?
Amo ela!
Só..!?
Tu também!?
Mais ninguém?
Ninguém mais... Só?
Porquê?
Só tu sabes amar assim...
© Augusto Brilhante Ribeiro
Terça-feira, 13 de Maio de 2008
Lembranças
Muito além de todas as lembranças...
Fico a pensar nas que já esqueci
Que me fizeste esquecer
Não por querer
Mas que não as querias ter
Porque te vi
Quase senti
A morrer
E eu a ver
Que não me querias ter
Muito além de todas as lembranças...
Fiquei sem ti, sem te esquecer
Porque te quero ter
Para te ver
Sentir
E depois morrer
Muito além de todas as lembranças...
Fica o que não presta
Cabeça louca
Tontas mentiras
Fantasias
Alma rasgada
Amores de uma amada
Fica o que resta,
Que resta nada.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 5 de Maio de 2008
Se…?!
Se o teu olhar um dia se cruzar com o meu
Se o que me dizes te direi também
Se as palavras as guardares no coração
Se a tua alma morrer de paixão
Se o teu amor fizer amor com o meu
Se o que é teu e meu nosso será
Se…?!
Se assim for meu amor
Baixarei as guardas
Dir-te-ei o que penso
Dar-te-ei o meu pulsar
Não me calarei a falar
Dar-te-ei o que falta
Só para te dar
O amor que baste
Só para te amar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 1 de Maio de 2008
Que...
Que o amor que te corre
Que o sabor dos teus lábios
Que o cheiro que exalas
Que o pulsar do teu peito
Que o que corre é amor
Que os lábios têm sabor
Que exala o teu cheiro
Que o teu peito a pulsar
Que me faz pensar
Que hoje te quero
Que te quero amar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
Ventos do amor
Que os ventos se encarreguem
Sem que dês conta a brincar
Carícias que não te posso dar
Prazeres infinitos perdidos
Beijos que não foram idos
Aguardo faminto que cheguem
Perfumes tontos sem pudor
Com aromas de dormir
Me levem ao desejo de ir
Perder-me perdidamente
Mergulhar-me no teu ventre
Nas fantasias do amor
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
Chorei
A tristeza
Sinto-a à minha frente
Na mesa
No quarto
Quando passaste por mim
Deixaste
No corredor a tristeza
A falta do teu amor
Quero os teus beijos
Enlouquecidos
Nos desejos
Quiseste que fosse assim
Deixaste
Eu fiquei
Mudaste e não te lembraste
Da tristeza
Porque foi triste e não viste
Chorei
© Augusto Brilhante Ribeiro
Domingo, 13 de Abril de 2008
Ao luar
Todos os dias te espero ao luar
Perdido na noite para te encontrar
Fico na areia a ver-te no mar
Sereia de encanto que eu quero amar
Depois que te vejo, vou-te abraçar
Amar o amor que não te posso dar
Olhar-te nos olhos para te ver olhar
Pedir-te no tempo que o faças parar
Falarmos de amor sem te poder amar
Falarmos do corpo sem te abraçar
Beijar os teus lábios sem te beijar
Ficar encantado por te ver no mar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 10 de Abril de 2008
Quem te quer?
Prende-me a palavra dita
Não consigo dizer “não”
Fico a pensar “maldita”
Que só me queres o perdão
Enquanto o tempo me mata
Mato o tempo na ilusão
De te ter perto de mim
De manter esta paixão
© Augusto Brilhante Ribeiro
Domingo, 6 de Abril de 2008
A lágrima...
A lágrima de dor
Ou de amor
Do mesmo sítio vem
Mas a lágrima com dono
Tem talvez abandono
De mim, de ti
Ou de alguém
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 27 de Março de 2008
Juízo de mim
Passeando sobre mim
E só por mim que sou assim
Com olhos aveludados
Verdes esfumados
Como já me disseste a mim
Como te posso esquecer?
Se o fizesse era morrer
Penso no quanto me amaste
No quanto me desejaste ou
Ficar, sair, viver ou odiar
Um passado triste a recordar.
E a tua alma enamorada
Inundada de paixão
Fez mexer este moribundo
Que vive no teu coração
Unimos os corpos num abraço
Cairei no teu regaço
Nas carícias, teus afagos
Lançarei flores pelo chão
Num gesto terno de amor,
Beijarei a tua mão:
- Oh, Mia minha ilusão.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sexta-feira, 14 de Março de 2008
Quero-te
Teu olhar me enternece
Tua boca queima paixão
Maria, teus beijos quero
Senti-los com sofreguidão
Se outros tempos houvesse
E se contigo eu pudesse
Em desespero de pranto
Dizia-te que te amo tanto
Meu amor quero-te perto
Teremos nossas ternuras
Faremos nossas loucuras
Debaixo do mesmo tecto
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 10 de Março de 2008
Maria
Teu sorriso me entontece
No teu sorriso me apetece
Colar meus lábios nos teus
Brincar com a tua pele
Beijar teu peito frondoso
Deitar-me no teu regaço
Sentir as tuas carícias
Juntar-me num só abraço
Ai como fico carente
Saber-te longe, indiferente
Por este amor que te tenho
Meu amor diz que me queres
Meu amor quero ser teu
Para sempre, eternamente.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quinta-feira, 6 de Março de 2008
Poema triste
Como é difícil viver sem te ter
Como é penar não te ter junto a mim
Ter de te deixar e só te querer
Querer ter-te quando não te posso ver
És tu que me dás alento de viver
És tu que me fazes viver a sonhar
Querer-te a meu lado adormecer
Sem antes teu corpo eu beijar
Deitar-me e ver-te a dormir
Afagar com ternura e te abraçar
Cobrir-te de beijos e sentir
Como te amo, como te quero amar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
O veneno das tuas palavras
Pecados nossos que os guardo em mim
Já não consigo retê-los mais.
Soltar-me? Sim, apetece-me reparti-los
E pecar com outra noutros locais.
Dar descanso à penúria que não me larga.
Dar-lhe beijos de amor e suor.
Fundirmos num só, o que é de mais.
Por fim, porque já não penso em ti
Porque me dizes que não me amais?
© Augusto Brilhante Ribeiro