Deixaste um pedaço de ti
Esparramado no chão
Levaste um pedaço de mim
Acendeste-me a paixão
Mordi lábio à despedida
Fiz reza, uma oração
Espero que voltes um dia
Rezo por essa condição
Ainda hoje estou aguardando
Que me voltes a visitar
Fico à espera a noite toda
Que me queiras ainda amar
Choro, angustia, saudade
Se o vento pudesse levar
Se te pudesse trazer
Bom era poder-te amar
Nada mais seria igual
Tudo teria perdão
Palavras doces e amor
Palavras do coração
© Augusto Brilhante Ribeiro
O recado que me mandaste
Li-o com muita atenção
Fiquei triste com o que disseste
Zangado, pois não perdoaste
Fizeste-o com intenção
Deixaste-me sem te ver
Sem permissão, abandonado
Um farrapo, mal tratado
Depois de tanto perdão
As cartas que te escrevi
Levou-as soprado vento
Contava-te o meu tormento
Porque nunca mais te vi
Deu-me uma saudade imensa
Do tempo que te queria ter.
Agora com a tua indiferença
Já não sei mais que fazer
Uma noite chorei e bebi,
Mas depois de acordar
Senti que podia amar
Outra mulher sem ti
© Augusto Brilhante Ribeiro
A Lua que gira à nossa volta
A terra que gira à volta do Sol
O Sol que gira à volta de outros mais
Fez-te girar. Girar neste tormento:
Que é afinal o pensamento
No sentido que te levam as palavras
Nos gestos que te fazem pensar nelas
Esqueces o que sempre te ensinaram
E perdes-te na ilusão de sonhar alto
Era minguante, mas esperançado
Quando surgiu a lua nova desse lado
Quando chegou a lua cheia luminosa
E nos viu de amores lado a lado
© Augusto Brilhante Ribeiro
São dois amores que disputo,
Duas odes quero cantar
O Douro, tenho-o comigo,
O Alentejo faz-me pensar
Deleito-me com belos sons,
Com encantos que me dão
Nas suaves melodias
Das suas ondas do mar
Um tem serras e montes
E rios a transbordar
Outro, planícies sem conta
E moleza no falar
Um a sul, quente demais,
Outro frio de gelar
O Alentejo com paixão
E o Douro de encantar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Fiquei sem saber o que dizer.
Em menos de um fósforo regressei à infância.
Quis-me esconder como uma criança.
Ficar envolto num abraço maternal, sentir-me seguro,
Poder esquecer que me pudesses fazer mal,
Acreditar que tudo não passava de um sonho.
Porém, roía-me por dentro,
Tinha de te responder,
Tinha de falar,
Dizer-te com frontalidade, olhos nos olhos;
Que amar não é só presença.
Amar é pensar em ti de noite, de manhã, à tarde
Querer o melhor da vida para contigo partilhar.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sobre o nada já muito se disse
Sem nunca se dizer nada.
O teu nada com o meu, nada deu.
Dou-te nada em troca de nada.
E agora pergunto eu:
Se já não tinhas nada,
Afinal quem é que perdeu?
© Augusto Brilhante Ribeiro
Deixei-me embalar…
As palavras diziam nada
O compasso estava certo
Era música que cantava
Deixei-me sonhar…
Nas fantasias sonhadas
Ecos pelas montanhas
Nas notas que entoavas
Deixei-me acordar…
Eram os nossos desejos
Lábios que escaldavam
Leves toques de beijos
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quero ver o mar,
De pé, deitado ou de pernas para o ar,
Quero ver o mar,
De longe, de perto, ao Sol, ao Luar,
Quero ver o mar,
O pequeno, o grande, o imenso mar
E areia com crianças a rebolar.
Pronto, já disse! Quero ver o mar.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Parece que finalmente
Poderei mesmo concluir
Que tudo acabou entre nós,
Que desta foi para sempre
Durante este tempo todo
Perdi-me de amores contigo;
Só vivo a pensar em ti.
Fui iludido. Sou um tolo
Não! Não consigo entender
Se eu nem te queria ter,
Apenas de ti receber
Mimos de enternecer.
Que é feito? Que achais
Daquela amizade que nos uniu?
Que é feito dos carinhos
Que enchiam os postais?
Fazes as pazes comigo?
Devolveste-me o silêncio.
Mesmo assim amo-te muito,
Mesmo com tudo perdido
© Augusto Brilhante Ribeiro
O teu ciúme agonia-me
Perco vontade de viver
Sabendo que pensas em ti
Estando eu prestes a morrer
Tão louco foi esse amor
De profundo enternecer
Como ousaste criar dúvida?
Dizer fui; sem nunca o ser
A penumbra da agonia
Que o tempo já não me cobra
O consentimento da vida
Pouco importa se já sobra
Quadras que rimam sem nexo
Palavras de pouco sentido
Frases soltas que se perdem
Na memória de não ter sido
A incerteza nos dias
Angústia, fúria talvez
Tudo fizeste na vida
Para acabar de vez
Vem, lua nova vem
Apaga a luz que me resta
Traz-me o amor de além
Que este, já vi, não presta
© Augusto Brilhante Ribeiro
Oh! Que imagem, que cor…
Esse lugar onde a luz que sobrava fazia reflexos.
Não havia dor, frio calor ou míngua de amor…
Foi assim que a vi, iluminada, posta de lado.
Com aquela luz que me penetrava o corpo.
Com aquele sorriso que me dava tudo a troco de nada…
Oh! Que imagem, sei-a de cor…
Quando a tarde adormecia, o sol, mal posto ainda a via.
O vento batia-lhe no rosto com lufadas breves.
Porém, numa sina de tristeza ficou envolta pela escuridão.
Foi então que acompanhou a natureza, deixando-me a solidão.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Donzela de corpo e alma
Já sabe do que é capaz
No espelho fita com calma
No vestir é bem audaz
Corpo magro e esticado
Cabelo ruivo a esvoaçar
Passo largo e ritmado
Vai prá rua passear
A inveja que ela faz
À velha lá na calçada
Dá gozo ao velho sagaz
Ver-lhe a saia arregaçada
Espreitam prá ver de frente
Olham prá ver de trás
Suspiram desejos de mente
Que o corpo já nada faz
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sonhos. É tudo sonhos, é tudo ilusão.
A minha fantasia, este querer, esta vontade:
Ter asas para voar.
Um dia ter-te, subir no ar para te amar.
Sonhos. Sonhar os sonhos e acordar só, sem te tocar.
É uma loucura.
É tudo sonhos.
A minha alegria é sonhar-te em fantasia.
Sonhos. É tudo sonhos. Ver-te tão triste morrer em sonhos.
Acordar no sonho e querer continuar.
Sonhos. É tudo sonhos viver no sonho de te amar
Sonhos. É tudo sonhos.
Ter-te p'ra mim, sonhar sem sonho
Querer por fim sonhar amar-te sem sonhar
Sonhos. É tudo sonhos...
© Augusto Brilhante Ribeiro
Um sorriso de criança
Um pedir tudo do mundo
Inocência, breve lembrança
Um tesouro na sacola
Carregado de esperança
Um dia pôs a cartola
Um riso com alegria
Com gargalhada franca
Matreiro no outro dia
Que mata, mas não espanca
Como cresceu o rapaz…
Que homem se fez depressa.
Vai ser um doutor de paz
Chamado juiz, ora essa!
Na luta do dia-a-dia
Encontrou a bela Inês.
O amor que ele pedia
Nunca ela o satisfez.
Encontrou a bela Aurora
O mesmo a ele lhe fez.
Trocou-a por uma Isaura
Perdendo-a no mesmo mês.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Vi-te um dia a passear
Abraçada pelo teu amor
Deixei-me por ali a olhar
Sentado a sofrer a dor
Quando já ias distante
Que já não pudesses ver
Meu coração galopante
Deu vontade de correr
Atravessei-me no caminho
Pus-me perto para te ver
Olhaste-me com carinho
Quis nesse instante querer
Ser aquele que te abraça
Sonhar-te a cada momento
Ter comigo a tua graça
Partilha do sentimento
Voltei para a realidade
Forcei sonhos de paixão
Perdi a noção da idade
Fechei-me na vã ilusão
© Augusto Brilhante Ribeiro
O teu sorriso, o teu andar
Que coisa linda, fico a pensar
Procuro-te longe, perto também
Quero-te sempre no meu coração
Olhar bonito, bonito de olhar
Corpo tão belo, que faz ofuscar
Outra mulher mais linda assim
Está p’ra nascer outra paixão
Minha promessa fica sem paga
Se eu te perco fico sem garra
O amor que tenho por ti me cega
Deixas-me preso nesta ilusão
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quando o som do sino toca
Só penso que são as horas
Do tempo que ainda falta
Para tocarem por mim
Quando o som do sino toca
Já outros sinos tocaram:
Quando dei nome à mulher
Quando lhes dei baptismo
Quando o som do sino toca
Dá-me saudade e tristeza
Faz-me lembrar que já foi
Quem me deu um dia ser
Quando o som do sino toca
Ouço sempre em desatino
Que por tanto querer viver
Já não ouço o som do sino
© Augusto Brilhante Ribeiro
Uma voz que a chama
Um sinal que lhe perdoa
Um olhar que a prende
A fala que atordoa
Um ser que acaba de ser
Que ainda não tem alma
Traz um sorriso na mãe
Num dia de muita calma
O Outono logo vem
O Inverno está a chegar
A Primavera rebenta
P’ra começar a chorar
Dois braços que a seguram
Quatro que a sustentam
Depressa se faz mulher
E nela outras rebentam
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sorriso, eu quero um sorriso
Porque não consigo.
Com lábios caídos, sobrolho arqueado,
O meu sorriso é mal humorado.
Nem posso sequer deitar olho pró lado.
Sorriso faz-me sorrir.
Quero gargalhar, olhar sem pecar, troçar e brincar.
Sorriso, eu quero um sorriso
Singelo é o pedido que eu te faço.
Só basta que faças aquele traço.
Sorriso, eu quero um sorriso
Por que me amargas este semblante.
Sorriso, eu quero um sorriso
Quero sorrir o sorriso dantes
Quero só rir…
Mostrar para o mundo;
Como te era e te sorria antes
© Augusto Brilhante Ribeiro
A festa era nossa
Era sempre andar
Caíste p’ro lado
Puxei-te pela mão
Quiseste descer
Abracei-te então
Quiseste-me o corpo
A rodopiar
Quiseste ser minha
Para eu te amar
De corpo suado
De lábios rasgados
Fizemos amor,
Embriagados
Depois me disseste:
Carnaval é festa!
E... porquê esta?
Esta? Não presta
Quero-te séria
Quero-te a sentir
Amar-te sem máscara
E no fim sorrir.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quando o corpo cede ao pensamento
Acaricio e beijo-te, sinto o prazer
De amar o retrato à minha frente
Que outro não quero no momento
Perco o sentir, a noção do tempo
Estar contigo a teu lado e olhar
Ver para além dessa realidade
Sermos os dois nesse isolamento
© Augusto Brilhante Ribeiro
Aqueles que souberam e sentiram
A vontade do querer alguém amar
Deixaram na esperança de encontrar
As almas que eram suas e fugiram
Quiseram os sonhos não sonhados
Aventuras de corpos já perdidos
Em pedaços nus e iludidos, nas
Entranhas que nunca foram amadas
Quiseram o que a vida não lhes dava
Luxúria, vinho álcool, a droga
Machucar o amor na mesma corja
Apressando o fim em cada saga
Por fim, exaustos arrependidos
Como cães submissos aos seus donos
Lambiam os restos que lhes davam
Até que ao morrer foram perdidos
© Augusto Brilhante Ribeiro
Descendo a viela
Cabelos à solta
Que linda vai ela
De perna bem feita
A saia que leva
Descobre-a singela
Atirada pr’a frente
Com passos seguros
Sorriso rasgado
De peito erguido
Procura o ausente
Que está perdido
Ao longe já vê
O seu namorado
Em breve se atira
Nos braços que é
O homem amado
Na luta que trava
Para lá chegar
Encontra uma outra
Que envolve o pescoço
De lábios colados
No homem do mar
Travando o andar
Fica parada
Vira-lhe as costas
Começa a chorar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Ficou a vontade de querer desde que me deixaste ver
o teu rosto iluminado.
Se soubesses como te amo e como te reclamo:
Sem vontade de comer fica-me a vontade de ter.
Quero alma de outro ser neste corpo inanimado.
Todos os dias jejuo, todas as horas padeço.
Solto ais de quem me dera.
Será que ainda te conheço?
Tomara que fosse verdade e que meu coração te ouvisse.
Tomara que ainda pudesse voltar a dizer-te um dia
aquilo que há muito já disse.
Palavras que nunca disse, já não tas posso dizer.
Não há força que as ice, nem força que as faça querer
As palavras do dever o tempo teima em levar
Obrigando-me a esquecer cicatrizes a sarar
Escolhido este destino fiz de mim o que não sou
Amar-te sem ter o tino e dar asas a quem voou.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Da janela do meu quarto
Vejo a chuva que escorrega
Que compete na vidraça
P’ra saber quem tem mais raça
Da janela do meu quarto
Espremo o rosto p’ra te ver
Imagino os sonhos teus
Queria-os iguais aos meus
Da janela do meu quarto
Vivo momentos de dor
Ganho os dias a sofrer
Sei que não te vou ter
Da janela do meu quarto
Volto costas à condição
Mergulho na realidade
Nunca por minha vontade
© Augusto Brilhante Ribeiro
Foi um dia de Primavera
Havia luz no firmamento
Nasceu vento que estivera
Adormecido no tempo
Nessa areia ainda quente
Onde o mar se espreguiçou
Ficou corpo, alma presente
Fogo bravo que me atiçou
Um ténue sabor da pele
Um cheiro doce de uma flor
Como é teu não me repele
Por lá ficou nosso amor
© Augusto Brilhante Ribeiro
O som da viola
Um copo de vinho
A mulher de estola
O homem sozinho
O fado da vida
Uma vida em fado
Desgarrada erguida
De cara pró lado
Soltam-se palavras
Desferem-se estrofes
São como pedradas
Sem haver galhofes
© Augusto Brilhante Ribeiro
Uma janela que corre
Uma porta que se abre
Um velho que não descobre
A fechadura da chave
Um gato que mia do alto
Um cão que rosna por baixo
Uma palavra de pranto
Mão que arremessa o tacho
Paredes finas demais
A confidência que passa
O amor que solta ais
A mulher que é desgraça
Na rua estreita e escura
Mora o pecado da mente
Homens vadios sem cura
Mulheres sem a semente
Entre sombra e claridade
Viu-a a primeira vez
Na sombra viu a beldade
Despida, em plena nudez
Foi nesse momento fatal
Que o desejo despertou
O corpo alvo e sensual
Da mulher que nunca amou
Olhou-a de cima a baixo
Com vontade, com fulgor
Seios fartos como cachos
Quis beijá-los sem pudor
Renunciou a vontade
Quando a viu fazer amor
Julgava que tinha idade
Para ver aquele horror
© Augusto Brilhante Ribeiro
Os dias já não são os mesmos
E as noites?
Essas muito menos…
No céu já não vejo a tinta
A cor do crepúsculo é cinza
O ar que respiro deixou de ter
Aquele aroma de enlouquecer
Quando te esperava aqui
Sorria aguardando por ti
Quando vinhas e me davas
Alento, viver e concordavas
Que o amor era só nosso e
Que eu te dizia te gosto
© Augusto Brilhante Ribeiro
Perdido no mar
Perdido na terra
Perdido de andar
Perdido na serra
Agora que foi
Agora não volta
Agora que dói
Agora está solta
Livre de amarra
Livre de trela
Livre sem garra
Livre sem ela
© Augusto Brilhante Ribeiro
Finalmente soltaste as amarras da vida
Que chamavas de morte.
Finalmente calaste a voz de sofrimento
Que gritava noite e dia.
Finalmente largaste teu corpo inerte
Que te travava o pensamento;
De chegar mais longe
Olhar horizontes
Subir pelos montes.
Finalmente!
Levado pelo vento ou chuvadas de inverno?
Será que tu sobes ou vais para o inferno?
© Augusto Brilhante Ribeiro
Acordo a sonhar
Com dores na cabeça
De tanto pensar
Que me fazes falta
Que a vida não presta
Que não quero viver
Já nada me resta
Contigo ausente
Agora para sempre
Falta-me o corpo
Falta-me a voz
Quando falavas
Quando me ouvias
Como pensavas
O que me dizias
Já sei que fazer
Estou decidido
Espera-me em breve
Que vou ter contigo
Meu amor eterno
Só quero coragem
Quero-te muito
Ando perdido
© Augusto Brilhante Ribeiro
A vida já não te queria
A neve cai sem parar
As nuvens cobrem o dia
As noites são de gelar
Por entre tantos ausentes
O vento te levará
A alma que te fez gente
O pó que resta por lá
Saudosa vai ser a vida
Por já não te poder ter
Mesmo de cabeça erguida
Nunca mais te vou esquecer
© Augusto Brilhante Ribeiro
A folha que cai
A nuvem que passa
O sol que se esconde
Chuva na vidraça
O dia que é noite
Parece ameaça
O mundo no fim
Vai ser a desgraça
Ouvem-se preces
De uma beata
Ouve-se o choro
De uma criança
Cruzam os braços
Apertam as mãos
Olhos ao céu
Com esperança
© Augusto Brilhante Ribeiro
Perdido de corpo
Para esquecer
Veneno bebido
Que fiz aquecer
À luz de uma vela
Comemos as sobras
Bebemos o vinho
Cheio de borras
Falaste em silêncio
Trocámos olhares
Vi-te na sombra
Sem me chamares
Quase enlouqueci
Saltei para a sela
Deixei-me cair
Soltou-se a fivela
A luz apagou-se
Apagou-se a vela
Fiquei só comigo
Esperando por ela
© Augusto Brilhante Ribeiro
Por detrás do vidro baço
Bateste manso e aguardaste...
Uma resposta,
Que alguém te abrisse a porta.
Trouxeste alegria; anunciaste
Que a felicidade está...
No coração.
No jeito do amor que dão,
Sem gratidão ou cobrança.
Palavras sábias, tão doces
Criaram a esperança,
Expectativa, emoção
Encheram-me de ilusão.
Somei, tirei, multipliquei
Fiz toda a operação e
Restou a conclusão:
Mesmo que fosse proibido,
Que nem fizesse sentido...
Amei você; quero perdão.
© Augusto Brilhante Ribeiro
O sonho que teve
Com ela a seu lado
Despertou-lhe o interesse
Por lhe ter tocado
Brincou com umbigo
Deu-lhe um afago
Sugou-lhe o mamilo
Mordeu-lhe um bocado
Prendeu-lhe uma mão
Puxou p'ra seu lado
Abrindo-lhe as coxas
Beijou com cuidado
Rebolou por cima
Ouviu um zumbido
Rebolou por baixo
Beijou-lhe o ouvido
Tocou a sineta
À hora marcada
Acabou-se o sonho
Afinal era nada
© Augusto Brilhante Ribeiro
O relógio da natureza
Desperta a vontade de querer
Quando se desponta a flor
Que te quer ver e ter
Não basta que haja vontade
Nem que o caminho se abra
Num ápice e sem pudor
É preciso que te abras
De copo e alma sem rodeios
É preciso que te dês
Com carinho e muito amor
© Augusto Brilhante Ribeiro
Franjas cinzentas
Horizonte perdido
Quebrado pelo monte
Que o deixa ferido
O sol aparece
Desperta a passarada
Os sonhos se quedam
Sem luta desejada
Ouvem-se os ossos
Um a um que estalem
Os dias começam
Que depressa acabem
© Augusto Brilhante Ribeiro
Olhos nos olhos; quase perguntaste
Mas como sempre, sempre falhaste
Olhos nos olhos; corpo presente
Olhar distante com alma ausente
Foi assim mesmo, nunca falaste
Nem um só gesto modificaste
Olhos nos olhos; mas não me viste
Corpo encostado que não sentiste
Procuro nos traços do teu desenho
Traços marcados que são o desejo
De corpo e alma ver-te por dentro
Sentir-te por fora quando te beijo
Olhos nos olhos; quero a resposta
Onde estás tu quando te tenho?
© Augusto Brilhante Ribeiro
Na casa de pedra
Varanda forrada
O sol de poente
E a luz torrada
Vi-te de perfil
Na ala encostada
Cabelos em fios
O vento soprava
Trazia perfumes
Que eu desejava
Falámos de nós
Falámos de nada
Do corpo que tinhas
Que me torturava
Não deste o que queria
Quase te matava
Apalpos e beijos
Não houve mais nada
Ficaram desejos
A noite chegava
© Augusto Brilhante Ribeiro
De olhos abertos
Espanto de boca
Olhei-a de fome
Parei de beber
Sorriso de aviso
Fiquei a pensar
No gesto matreiro
Que ela me fez
Torci-me de lado
Para melhor ver
O passo apressado
Quase a correr
Disse-lhe baixinho
“Comia-te toda”
Mentira! E foi indo
“Dou-te uma foda”
© Augusto Brilhante Ribeiro
Nunca mais soube de ti
Nem de ti nem de ninguém
Perdi-me na multidão
Encontrei a solidão
© Augusto Brilhante Ribeiro
Ao indeciso
Falta-lhe tudo
Falta-lhe o guiso
Pancada nas costas
Falta-lhe a brisa
O vento que sopra
É agora que saltas
Larga as amarras
Volta ao início
Começa de novo
Morre que é tempo
Fica entalado
Ficaste de bruços
Desde há bocado
Nada de "crawl"
Vegetas na terra
Que nem caracol
© Augusto Brilhante Ribeiro
Ser indiferente
Na alegria ou na sorte
No porte
Ou na sentença da morte
Ser indiferente
Vivendo como a escória
Sem glória
No tempo eterno da memória
Ser indiferente
No mundo de tantos iguais
Como pardais
Sem conhecer o que há mais
Ser indiferente
É o que resta, baixar a testa
E já não presta
Porque indiferente é ser obediente
Eternamente
© Augusto Brilhante Ribeiro
Cabeça pendente
Braços caídos
Olhar ausente
Diz que não sente
O corpo que traz
A força que faz
Tropeça e não cai
Ouve-se um “Ui”
Por pouco caía
Por pouco que cai
Por muito caiu
E nem disse “Ai”
Dois braços seguram
Um corpo que é mole
Um corpo matado
Um dono que é morto
Por ser mal-amado
© Augusto Brilhante Ribeiro
Descia a calçada
De ombro desnudo
A saia subida
Que nada tapava
Cabeça erguida
Peito empinado
Olhar fugidio
Descia a calçada
Ai que boa que és…
Comia-te toda…
Que bocas foleiras
Da homenzarrada
Seguiu indiferente
Descendo a calçada
Encolheu os ombros
Já tem um cliente
Atira-lhe beijos
Sacode os cabelos
Abre-lhe o corpo
Sacia desejos
Que linda que estava
Que grande postura
Vai longe a putéfia
Dissera a velhada
© Augusto Brilhante Ribeiro
Gerou-se uma linha
Que em breve cresceu
Enquanto se alinha
Já que se obrigava
Alinhando sofreu
Sem medo que parta
A linha sem graça
Ficou sem a linha
Sem sombra de linha
A linha que tinha
Que fina era a linha
Que se desgastava
A linha que foi
A quem se encostou
Que agora não sabe
Da linha que amou
© Augusto Brilhante Ribeiro
A semente que me deixaste
E mais sementes vieram
© Augusto Brilhante Ribeiro
Um galo que sempre canta:
Que as minhas palavras têm
© Augusto Brilhante Ribeiro
Um ano corrido
© Augusto Brilhante Ribeiro
No leito que não tem jeito
© Augusto Brilhante Ribeiro
Viraste-me um dia o rosto
© Augusto Brilhante Ribeiro
A nuvem que agora passa
© Augusto Brilhante Ribeiro
Disseste-me um dia que a loucura me invade.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Solta-me os sonhos que tenho
© Augusto Brilhante Ribeiro
Teus braços como gavinhas
Teu corpo que serpenteia Teu rosto macio, sedoso Meu corpo no teu semeia Sussurros de palavras doces Promessas de amor eterno Até que o sonho não finde Que o dia já é de inverno Na primavera da vida Tive-te no verde campo Teus olhos humedeceram Ficaram com mais encanto Depois, no cair da tarde Nasce uma chama que arde Rubis, papoilas abertas À noite que me entontece
© Augusto Brilhante Ribeiro
Depois de me empanturrar com tanta comida e doces
© Augusto Brilhante Ribeiro
O teu sorriso não é mais
Que ainda tanto te tenho
© Augusto Brilhante Ribeiro
Ó vento que sopras alto
© Augusto Brilhante Ribeiro
Como se mais nada houvesse
© Augusto Brilhante Ribeiro
Ao invés de ti
© Augusto Brilhante Ribeiro
Enquanto passava o tempo
Dizendo-lhe que era amorosa
© Augusto Brilhante Ribeiro
Sorrisos amargos
© Augusto Brilhante Ribeiro
Homens carentes de amor
Marinheiros esfomeados
Aguardam a tua chegada
Para beber, apressados
O néctar da tua flor.
© Augusto Brilhante Ribeiro
Acorda!
Que nos andam a chamar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Meu amor, como te amo…
© Augusto Brilhante Ribeiro
O princípio do fim há muito que começou
© Augusto Brilhante Ribeiro
Meu amor,
Meu amor… Hoje lembrei-me de ti.
© Augusto Brilhante Ribeiro
De frente
Talvez!
© Augusto Brilhante Ribeiro
No tempo em que o tempo sobrava
© Augusto Brilhante Ribeiro
O tempo é curto
© Augusto Brilhante Ribeiro
No íntimo do pensamento
Faz-me perder o Norte”
© Augusto Brilhante Ribeiro
Não foi na delicadeza das palavras
Que me viste como alguém que conheceste
© Augusto Brilhante Ribeiro
Tu ficaste e assim fiquei
© Augusto Brilhante Ribeiro
Para além do que disseste
© Augusto Brilhante Ribeiro
© Augusto Brilhante Ribeiro
© Augusto Brilhante Ribeiro
Mia minha, bela e doce
Que demos tanto o amor
© Augusto Brilhante Ribeiro
Foge o sentido das palavras
© Augusto Brilhante Ribeiro
Teus beijos foram encantos
Volta para mim meu amor
© Augusto Brilhante Ribeiro
Já me faltam as palavras
© Augusto Brilhante Ribeiro
Meu amor
Porque te tenho em pensamento
© Augusto Brilhante Ribeiro
Soberbo…
A sua amada
© Augusto Brilhante Ribeiro
Quando o amor é grande
Se é verdadeiro ama-se e
© Augusto Brilhante Ribeiro
Procurei-te dias e dias a fio
Sem nunca te poder encontrar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Minha gaivota amada
Lá do alto sempre a voar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Ela acabara de sair
Parado ficou
© Augusto Brilhante Ribeiro
Viver sem saber o que fazer
© Augusto Brilhante Ribeiro
Socorro!
Não estou sentindo nada.
Era assim que começava,
Mas deixou de o ser
Já não me lembro de nada
Porque o fiz desaparecer.
Agora fica mais belo,
O socorro que foi meu
Agora que vá pró Inferno
Que não seja meu nem teu
Posso dizer que já foi,
Que amo outras palavras
Não quero saber de ti
Posso dizer-te bem alto:
© Augusto Brilhante Ribeiro
Na música que eu te canto
© Augusto Brilhante Ribeiro
Ah, como é triste olhar o mar
© Augusto Brilhante Ribeiro
Só... Simplesmente!
© Augusto Brilhante Ribeiro
Muito além de todas as lembranças...
Fico a pensar nas que já esqueci
Que me fizeste esquecer
Não por querer
Mas que não as querias ter
Porque te vi
Quase senti
A morrer
E eu a ver
Que não me querias ter
Muito além de todas as lembranças...
Fiquei sem ti, sem te esquecer
Porque te quero ter
Para te ver
Sentir
E depois morrer
Muito além de todas as lembranças...
Chorei