Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015

Alguém

Doem-me as palavras que ouço.
Doem-me as entranhas, arde-me o corpo por dentro…

Conheci uma donzela que se chamava “Alguém”
Tão alegre, tão bonita, tão sorridente também…
Via-a um dia. Cabisbaixa, tão triste que ela estava.
Fugira-lhe a alegria, como estava desolada.
Restou-lhe o amor por lá, mas doía.
- Quando foi?
-Foi outro dia.
E assim fiquei e pensei… “tiro-lhe a dor?”
Alguém deve ajudar “Alguém”.
- Onde está tua alegria?
- Levou-a ele também.
Rosto de traços lindos, e no cabelo linda trança.
Olhos sem cor, com mesclas de esperança.
Boca que apetece… Que vontade de a beijar.
Trocou sua alegria por concha de mão vazia.
Nela guardava a dor, cheia de água do mar…
Levei-a junto à janela, ver estrelas, o luar.
Se alguém visse ali “Alguém”, só a via a soluçar.
Dei-lhe a mão, beijei-lhe a fronte,
Fomos depois passear.
Mostrei-lhe as constelações,
As fases que a lua faz...
A dor passou, e o meu tempo!
Veio outro para a amar.

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Domingo, 15 de Novembro de 2015

Apagou-se

- O que foi que me disseste?

- Que a vida se faz com trabalho.

- E a morte, de que se faz?

- És tolo. Perguntas coisas sem sentido. É preciso resignação.

- Para quê? É para ganhares o pão?

- Porque é que só falas? Melhor fora que fizesses.

- E faço. Faço a pensar, porque pensar é trabalho e causa dor no coração.

 

O final da corrida aproxima-se.

O cavalo respira ofegante.

As forças estão prestes a acabar.

O olhar turvo é marcante.

Está prestes a terminar.

É a meta, é o fim de tudo.

Chegou ao destino.

Repousa em sossego como um menino.

Adormece para sempre.

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Domingo, 1 de Novembro de 2015

Algemas

No sonho latente e angustiante

Sentiu vontade de fugir

Sumir-se sem saber porquê

Deixar tudo o que fazia;

Ideias claras, objetivos

Rasgar com o passado

Esquecer o cadeado que o prendia

Desprender-se de velhos laços

Abrir o pensamento encarcerado

Olhar em frente, num só sentido

Resignar o presente com o vazio

 

O que é que fez?

Nem ele sabe

Confirmou ao ver-se

Estava algemado.

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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015

Um-doi-erdo-eito

Ouviam-se vozes de comando; ordens curtas, deturpadas na linguagem, mas regidas no compasso.

Botas que nem metrónomos batiam no chão, ritmadas nas secas pancadas.

Meninas que não dominavam política eram elogiadas: pelos lavores; pelas rendas, bordados e lindas telas que gastaram tintas onde pacientes gestos de pincel marcavam desejos de paz.

No remetente das suas cartas de amor encorajavam ânimo, quando beijavam as flores que derramavam sangue dos espinhos que as rasgavam.

No fim, quando já não havia sementes acabou o que nunca devia ter iniciado.

Então, as delicadas agulhas e os finos pinceis deram lugar a rudes instrumentos, que fabricavam outros tantos iguais, num processo de clonagem.

Era o início do Verão. Os sinos tocaram alegria. Celebrou-se o fim, mas era o fim de algo que haveria de continuar por muito mais tempo; fome e solidão.

Mães e filhas esqueceram-se de ser mães de outros mais, que iriam bater com as botas no chão, ao compasso de sons, de palavras deturpadas na linguagem: “um, doi, erdo, eito...”

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2015

Encontro anulado

Como sempre o fizera

Outra vez repetiu

Tirou toda a roupa

E assim se despiu

Por cima do sofá

Colocou-a na ordem

Como se despira…

Deixou-a por lá.

Deitou-se na cama

Estava muito calor

A cama rangeu

Com som do amor

Lembrou-se que foi

Que já o perdeu

Foi breve a presença

De fantasia vã

Não teve o encontro

Adormeceu…

Fugiu-lhe o real

Restou-lhe o sonho

Pela manhã

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Terça-feira, 15 de Setembro de 2015

Resposta ao refrão:

«Gostava muito de ti

Mas não posso gostar mais

As mentiras que me pregas

São facadas são punhais.»

 

Foste sempre presunçosa

De nariz muito empinado

A mulher que prometeste

Empurraste-a pró lado

 

Não podia gostar mais

Por não ser correspondido

Se quiseres os meus sinais

Dá de volta o prometido

 

Inventaste acusações

Que tinha sido infiel

Eram só provocações

Só vinagre, muito fel

 

Resta o que já passou

Recordá-lo tal e qual

Não vale a pena tentar,

Jamais pode ser igual

 

O que sinto não confesso

Por tudo o que já passei

Lamentos que não mereço

Foi a ti que sempre amei

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Terça-feira, 1 de Setembro de 2015

Relatório

Foi como se nada acontecesse

Sem alarido ou denúncia

Tudo e todos se mantiveram iguais

Não havia discórdia.

Era isso que lhe estava destinado

Toda a contestação terminava

Todo o rebelde eliminado.

Ordeiramente cumprem o destinado

Contestação terminada

Rebelde eliminado

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Sábado, 15 de Agosto de 2015

A minha casinha

Por cima de cada telha

Outra telha deve estar

Uma porta bem aberta

Por onde devemos entrar

 

Um quarto para dormir

Uma sala de jantar

Na cozinha toda a louça

Uma banca prá lavar

 

Bem bonita que ela fica

Se cada parede pintar

Um jardim bem florido

Muita água pró regar

 

No laranjal vou colher

Laranjas para o jantar

Levo um cesto prás trazer

Uma escada prás apanhar

 

Se me faltar o pé

No galho vou-me agarrar

Até pareço o Tarzan

Pendurado a baloiçar

 

Todo o vizinho que a vir

Abre a boca de pasmar

Todo o invejoso vai querer

Sua casinha igualar

 

Tanta habitação se faz

Mais das vezes é um andar

Muitas são feitas depressa

Mas esta vai ser devagar

 

Agora que tenho uma casa

Que há muito andava a pensar

Vou nela passar a vida

Que me falta terminar

 

 

No verão depois de almoço

No alpendre vou ficar

Passarei por muitas brasas

Muitas vezes a sonhar

 

Atarei a corda à esteira

Nela me vou deitar

Não preciso de lençol

Fico de barriga pró ar

 

Vou dormir como criança

Com vento na cara a dar

Enxoto moscas com bufos

Assusto tudo a ressonar

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Sábado, 1 de Agosto de 2015

Novelo

Um novelo se formou

Tanto fio emaranhado

Puxa aqui, estica além

Tanto nó que lhe foi dado

 

O melhor que ela fez

Na confusão pró soltar

Foi novo aperto no fio

Outro nó pra desatar!

 

Encontrou pequena ponta

Tão escondida que estava

Perdeu-a, já era gasta

De fina por tanto a usar

 

Apertos e mais apertos

Ao invés de o soltar

Jogou com ele no lixo…

Passou vida a lamentar

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quarta-feira, 15 de Julho de 2015

Dor de parto

De repente, sem que nada fizesse prever,

Ouviu-se o bater compassado,

Uma luz vermelha que fez tremer.

Um corpo deitado, um rio sugado

Corriam queimados pela alvorada

Cinza da vida depois devorada.

Instantes depois, nada restou

Feitas as contas pouco durou

Surgiu a paz…

No parto difícil saiu-lhe um rapaz

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quarta-feira, 1 de Julho de 2015

Um susto

Pelo eriçado

Não era de frio, de medo talvez.

O susto que tive

A fera a meu lado.

 

Batia com força

Latejos de sangue

Um coração velho

Cansado, coitado.

 

Rapidamente encheu-se a cabeça de pensamentos

Velhas questões

Velhos tormentos

Deixei de pensar

Sorriram-me os anjos

Crianças aladas

Que faziam ali? Todas deitadas!

Que fazia eu que já não o era?

 

Às perguntas que fiz, respostas não tive

Da fera a meu lado com pelo eriçado.

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Segunda-feira, 15 de Junho de 2015

Hora do desejo

Sobe, desce, não sabe o que quer.

─ Se maior fosse o dia…

─ Ai se fosse…

─ Tinha tempo para ti, mulher!

Rodopia e para. Vira-se para ela

Abrem-se os braços.

Sorriso matreiro de olhos em traço

Pisca-lhe o direito, aponta-lhe o local

Encolhendo ombros, ampara o desejo

Rompe com força a idade que tem

Reclina-a no leito

Beija-lhe a boca

Para no peito.

Segreda que a ama

Confirma na hora

Deitado na cama.

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Uma morte enamorada

Subia sozinha a calçada,

Olhar vago, pés que não sente.

 

Degraus contados, meia viagem

Ouviu crianças que brincavam,

Passou travessas e becos,

Sorveu perfumes, cores garridas,

Contrastes nas portas, janelas.

 

Deu bons dias, alguém nelas,

Sorrisos da vizinhança.

 

Falaram do que sabiam

Enlace de pouca esperança.

 

Adivinhava aventuras,

Subiu sozinha a calçada.

 

No tempo que o sol contara,

No dever que a esperava,

A lua tramou-lhe as voltas,

Subiu sozinha a calçada.

 

Desfez-se o tempo de vida

Na pergunta que lhe fez

Do ciúme recalcado

Desceu a calçada de vez.

 © Augusto Brilhante Ribeiro

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Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

Pétala de amor

Quando a luz rompe a escuridão

Derruba mundos de solidão.

Quando o vento sopra

Leva sonhos de coração.

Sorrisos lindos,

Mãos que apertam,

Braços que se erguem na imensidão.

É o amor que desperta.

É o amor a causa da paixão.

Desabrocha a flor, o seu perfume,

Caem pétalas pelo chão.

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Sexta-feira, 1 de Maio de 2015

O tempo que lhe restava

Ele disse que o tempo voava.

Ele disse que já não tinha tempo.

Levantou-se e gritou bem alto,

Porque o tempo não era só dele:

A todos fora dado um tempo.

Um tempo de estar,

Um tempo de dormir,

Um tempo de comer e depois partir;

Um tempo para ver o tempo passar.

 

Outro lhe disse que alguém atrasou o tempo.

Então quem o fez passaria a ficar sem tempo.

E disse ainda: - O tempo não é só teu!

Virou-lhe a cabeça.

Todos o viram.

Ficou sem tempo e depois morreu.

 

Depois eu disse baixinho:

- Também eu estou a ficar sem tempo.

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Domingo, 1 de Fevereiro de 2015

Chegou ao fim

Um dia outro e mais outro

Igual ao que foi? Talvez.

Parecido com o que vem

Semelhante ao que virá

Sempre mais um cortês

 

Tem muita sorte

Bateram à porta

Não queria abrir

Falara-lhe a morte

 

Um dia vai tudo parar

Porque será? Que é que tem?

Se o dia deixar de vir

Também não vem

Quem era para ficar

 

Tem muita sorte

Bateram outra vez

Agarrou-lhe o braço

E foi desta vez

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015

Um bronze de verão

Tanto mar, tanta luz, tanto sol

Vento que sopra, areia que voa

Pó que cega, pele que seca

Pensamento erguido

Passos esquecidos

O ser é saber do pulsar perdido

Tanto para dar

Mais que recebido

Estende a toalha

Deitada para o chão

Não é desistência

Faz dela um colchão

Tosta de um lado

Do outro também

Na cama que é rasa

Que é de ninguém

Fica com a pele

Parece uma brasa

O suor que sobra

Dissolve-se na água

Que fica salgada

Mais do que tem

Regressa outra vez

Besunta-lhe o corpo

Sem flacidez

Terminado o dia

A noite agitada

Na embriaguez

Da lua que é cheia

Que espera outra vez

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2015

Foi como quiseste

Serenamente. E não podia ser de outra maneira.

Repousaste. Fechaste os olhos para que não visse

As meninas dos teus olhos. Elas que se abriram,

Que se deixavam ver como eram.

Suspiraste. Oh! Como me deixaste.

Não foi assim todo o momento?

Ciúmes?

─ Do que era teu sem te pertencer.

Queixumes?

─ Do que nunca aconteceu.

Rancor?

─ Quando te dava a minha dor?

Falta de tempo?

─ Se nem da sobra aproveitaste…

Foi assim, uma vida que se perdeu.

Um permanente desencontro.

Um constante desatino com os pratos da balança.

Sem tento ficou o tempo. Sem esperança.

Mais fugidio e sem destino.

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014

Ai se eu pudesse

Ai se eu pudesse apagar o choro provocado

Mudar o dia que te vi no calendário

Voltar a ter-te sempre a meu lado

Ai seu pudesse sonhar. Nem isso posso!

Sonhar os sonhos da tenra idade

Viver inocências da puberdade

Se te pudesse dizer o que sonhei

Um sonho de ternura, por ti cercado

Sem te fugir, ficar a teu lado

Ai se eu pudesse

Dava-te o amor que não tiveste

Prendia-me a ti, não te largava

Em troca do amor que prometeste

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2014

Epitáfio

A tua inusitada jactância

Prosternou-me pelo teu eufemismo

Estucho meu que me arrebataste

Perpetrada em réprobo sofismo

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Sábado, 15 de Novembro de 2014

Vi-te assim

Sorriso matreiro

Perna inquieta

Cabeça que roda

Destino certeiro

 

Olhar esquivo

Mirar furtuito

Um gesto de boca

Um queixo altivo

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Sábado, 1 de Novembro de 2014

Justificações

Chove!

E que há para dizer?

Que já fazia falta?

Que não dava jeito ter chovido?

Que a perna que sempre dói, agora dói mais e é por causa da chuva?

Que as dores nas costas assim o avisaram?

Não!

 

Está um calor tórrido!

E que há para dizer?

Que o elevador não funciona?

Que é uma maçada subir a pé tantos degraus?

Que se ao menos houvesse um pouco de vento podia refrescar corpos suados?

Que é por causa da camada do ozono?

Não!

 

Há barulhos de cama a chiar!

E que há para dizer?

Que chove pra caraças?

E que agora está calor?

Não!

 

O que há para dizer é que:

A boazona do lado, sem pudor

Tem agora um novo amante

E o dia todo, sem parar

Só pensa em fazer amor.

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Sem tempo

Ele disse que o tempo voava.

Ele disse que já não tinha tempo.

Levantou-se e gritou bem alto,

Porque o tempo não era só dele:

A todos fora dado um tempo.

Um tempo de estar,

Um tempo de dormir,

Um tempo de comer e depois partir;

Um tempo para ver o tempo passar.

 

Outro lhe disse que alguém atrasou o tempo.

Então quem o fez passaria a ficar sem tempo.

E disse ainda: - O tempo não é só teu!

Virou-lhe a cabeça.

Todos o viram.

Ficou sem tempo e depois morreu.

 

Depois eu disse baixinho:

- Também eu estou a ficar sem tempo.

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Retrospetiva

Perdido, procura e não acha

Vagas memórias, tristes passagens

Consolos de criança, batendo asas

Terra batida, rodada na lama

Balões de sabão, risos abertos

Olhos esbugalhados, olhar de esperança

Correm as pernas, coração não cansa

Sopro de vida, que espera tanto

Desafia tudo e nada alcança

Roleta russa, sente temor

Correm os anos, amadurece

Não reconhece o seu amor

Perde o que é seu, fica-lhe a dor

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

A razão

São palavras que me faltam

Gestos que me atormentam

Ideais que já não tenho

São vozes que não aguento

Pensamentos sem sustento

Conluio que já está gasto

Perdura somente o ato

Noutros tempos aclamado

Perdurado e reclamado

Já lá não vai com entrudo

Perdeu-se tempo demais

Morreu! Acabou tudo

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Velhice

O ouvido que não ouve

O braço que não levanta

A perna que não estica

Uma voz que já não canta

Dentes que não mastigam

O pente que não penteia

Gases que não controla

Qualquer coisa que rareia

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

Provocações

O encontro que tivemos

Esfumou-se com o tempo

Nuvens que nascem e morrem

Farrapos de roupa usada

Foi o amor que quisemos

A paixão que deu em nada

Perdida a vontade de querer

Perdidos os sonhos, a ilusão

O pensar no amanhã

Restam-me as fantasias

O querer por não te ter

O sentido das orgias

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

Em coma

Foram os dias mais longos da minha vida

Tive-te em mente o dia inteiro

Esqueci o que foi reprimido

Abraços por saudações

Visitas que não convidei

Beijos por emoções

Deleitei-me em sonhos

Estive contigo a meu lado

Encontrei o rumo certeiro

Sorriste, entreguei-me, acordei

Por fim fiquei só

Agora perdido no sonho acordado

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Terça-feira, 15 de Julho de 2014

Alentejo

Para além do Tejo

Fica a planura, o castanho

O amarelo e a verdura

Os montes de pouco tamanho

 

Tem gente que come sopa

De pão coentros e alho

Semeia cânticos duros

No compasso do trabalho

 

Reservada na ternura

Abre os braços com postura

Abriga a sede e a fome

Descansa, mas nunca dorme

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Terça-feira, 1 de Julho de 2014

Dia de vento

Um dia mandaste o vento com queixas daquele tempo

Com amor e com certeza que agora já não há vento

Porque apenas aconteceu o final da abarregada,

O vento trouxe a tristeza
O vento levou a saudade
O tempo só para o vento se o vento parar no tempo

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Domingo, 15 de Junho de 2014

Fui enganado

Agora me lembro, e que estúpido fui eu...

Agora me lembro que nem pintado de ouro me querias ver.

Agora reconheço que fiz figura de parvo...

Agora percebo como Adão teve de deixar o paraíso.

Agora, pois é, agora já deixei a minha marca e por ela hei de morrer.

Agora, jamais quero o que tanto desejei.

Agora, agora não quero, mas já nada há a fazer.

Agora?! E porquê insisto eu?

Para quê?

Como fui tão estúpido...

Que hei de fazer?

Como hei de desaparecer?

Já sei, fugir e não me dar a conhecer.

Ou talvez... Quem sabe?

Correr, correr até morrer...

É isso. É isso que tenho de fazer.

E depois? Será que não voltarei a viver?

Mas, vou morrer? E tem de ser?

Somente porque não consigo enlouquecer?

Não! Não! Isso não pode ser...

Fui enganado, vexado, espezinhado... Fui gozado.

Como é que me deixei ser domado?

Já sei, foi porque nunca fui amado...

Amado? E é possível que não tenha notado?

Não sei...

Fui enganado? Sim! Fui enganado.

E agora, bem, agora resta-me terminar com o que nunca começou.

Agora...

Agora procuro, rebusco, encontro e pum.

O silêncio invade-me a alma.

Não morro e fico danado.

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Domingo, 1 de Junho de 2014

Extorquido

Os dias passam

O tempo corre e apaga do amor manchas indeléveis, esbatidas em velhos trapos

Nada mais resta que o crematório

Nem mesmo a cisma que o peditório rejuvenesce

Nem mesmo isso impede o tempo que adormece

Perdem-se palavras

Areia que nos escapa

Malha grossa que não filtra

Cimento que endurece

 

Aconteceu felicidade

O que é meu é teu

Agora acontece ruindade

O que é meu, sempre foi

 

Sabor amargo

Cheiros fétidos

Visões tenebrosas

Sonos mal principiados

 

O que é meu é meu, ouve o que digo

O que é teu, também

 

Digo eu, bem se vê; extorquido

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quinta-feira, 15 de Maio de 2014

Rosas sem cor

Estas rosas que te mando

É o amor que me brota

É a paixão que te tenho

Sentida no meu coração

 

Mais flores quero mandar-te

Mesmo sem consentimento

É que explode só de pensar-te

Minha alma, meu pensamento

 

Por tanto te querer amar

Rodo à volta da tua flor

Endoidece-me o perfume

Na procura do teu amor

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quinta-feira, 1 de Maio de 2014

Néctar

Na leveza do pensar

Sonho teu corpo amar

Que não me dás e desejo:

 

Nos braços do teu amor

Mergulhado no teu ventre

Fértil néctar saboreio

Como abelha ou beija-flor

 

No ensejo do meu jeito

No teu corpo perfumado

Descubro o amor que há

Na delícia do teu prado

 

Saciados os desejos

Explode-me o coração

Tantos amassos e beijos

Gritos e falas de tesão

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Terça-feira, 15 de Abril de 2014

Longe de ti

Sempre assim o quiseste

Pedi-te que não o fizesses

Tantas vezes remei contra a maré

Até que um dia, para sempre te afastaste

Fiquei longe de ti

Tantas vezes te procurei

Deixaste-me em desespero, sem rumo e desiludido

Nunca mais te encontrei, mas a chama arde;

Perdura ainda uma réstia do que te roubei:

A saudade do teu cheiro, que não o levaste

Quando o teu corpo amei

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Terça-feira, 1 de Abril de 2014

Bem-vinda

Batem à porta. Estou sonolento

Quem lá bateu entra no sonho e inventa

És tu e sou eu

Batem à porta. Batem mais forte

Acordo a sonhar, tropeço e caio

Nem sei que fazer

Abro a porta e nada aparece

Volto a deitar-me, não quero acordar

Rezo uma prece e no sonho a sonhar ela aparece

 

O sonho comanda a vida.

O sentido é a razão

Do real é um sonho perdido.

Do pensar é confusão

Sonho na tua parte e fico a matutar:

Já me perdi.

Não tenho engenho, nem arte, já nem sei sair daqui

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Sábado, 15 de Março de 2014

Fingi que te amava

Duas vozes, um quebrar

Silhueta a desfocar

Parede suja, dedos a estremecer

Fez-se silêncio de terror

Ouviram-se passos

Uma porta a fechar

 

Mãos finas, dedos longos

Nas teclas de um piano

Som cristalino, pancada forte

Ritmo curto, melodia grave

 

Sorri-te do canto e gingaste

Fingi como querubim

Querias o verso certo

Não o fizeste para mim

 

O olhar que me puseste

A saudade que ficou

A ternura que lhe deste

No canto por lá ficou

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sábado, 1 de Março de 2014

Basta!

Sopra a fúria o desdém

Arrasta o que nada tem

Vidas em solidão

Amores perdidos em vão

Na ternura que perdura

Sem queixas e sem perdão

 

Basta que o galo cante

Vem a saudade o encanto

Do raio verde e o sol nasce

Basta que haja um sinal

Uma palavra, a vontade

 

Fica melhor, quase igual

Se não, basta o que te peço

Basta de tudo, basta de ti

Basta que baste essa mentira

Basta o fim do teu entrudo

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sábado, 15 de Fevereiro de 2014

No velho sobreiro

Os dias passam sem deixarem boa lembrança

O tempo voa com asas de pensamento

Impaciência, prolongadora do tempo

Que me atormenta, que me rouba a esperança

 

Simples passagem, devaneios, laços tênues

Amizade de criança

 

Do amor que lá ficou

Velhas sombras de juras esquecidas

Restando a vida gravada num sobreiro

Que se esfumou

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sábado, 1 de Fevereiro de 2014

Metáfora do meu ser

Ah! Pablo como te entendo:

As palavras eram espadas. Abriam golpes

Em sonhos de corações maltratados

Nas fantasias de corpos espezinhados

Na alma de donzelas apaixonadas

 

Ah! Pablo, como te compreendo:

As lutas que tiveste

Os moinhos de vento que enfrentaste

Sem afago e entendimento desmedido

 

No vento que soprava traiçoeiro

Surgiu-te um Pança que foi o teu alívio

Veio trazer-te a bonança do carteiro

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

Como gosto de ti

Como crianças eu e tu… brincámos

Como crianças eu e tu… amámos

Desbravámos zonas proibidas

Descobri que eras diferente

Olhamos um para o outro

E ficámos frente a frente.

A aventura empolgou-me

Sorrimos. Houve consentimento

Notei que estavas feliz

Foi quando rompeu o desejo

Roçamos e rimos muito

O meu com o teu nariz

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014

Não te vi

Estas flores que te deixo

Queria ver-te a recebê-las

Queria entregá-las em mão

Queria sentir no teu peito

O pulsar do coração

Não me quiseste atender,

Mas eu vi-te à janela

Por detrás do cortinado.

Receaste o meu olhar…

Outra vez fui recusado.

Porquê tanto ódio assim?

Foi tão grave o que te fiz?

Dá-me um pouco de esperança

Deixa que me sinta feliz

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Domingo, 15 de Dezembro de 2013

Atrás da janela

Por detrás de uma vidraça

Esconde o corpo que tem

Nunca lhe soube a graça

Não lhe conhece a fala

Mas ama-a como ninguém

 

É isso que o faz sofrer

Tê-la perto da janela

Quase lhe poder tocar

Sem nunca o poder fazer

 

Imaginar o corpo dela

Os olhos que ela tem

Imaginar sua boca

O que é tão bonito nela

 

Afinal quem será ela

Que se esconde com palavras

Escritas com a candura

Que o deixa em desespero

Por haver tanta ternura  

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Domingo, 1 de Dezembro de 2013

Desilusão

Sabia que um dia podia acontecer

Quis acreditar que nunca pudesse haver

Confrontação, discussão sobre temas fúteis

Ambição desmedida e disfarce

Quis acreditar que o interesse material era ilusão

Mas não!

Aconteceu…

Aconteceu e não foi preparado

Caiu a máscara. Terminou o entrudo

Surgiu o verdadeiro rosto, expressão

Caiu o pano, terminou o ato, a farsa

Há sempre alguém que aplaude

Depende da emoção

Não há bis nem flores caídas no chão  

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013

Mente vazia

Quando a mente não presta

O corpo que arrasta cede à vontade de outro

O sentido deixa de pesar

É confusa a situação

A lentidão passa a pressa

A vaidade ao desmazelo

Anda tudo em turbilhão

Come-se depressa

Corre-se na escuridão

Eliminam-se os fracos

Morre-se sem perdão 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sexta-feira, 1 de Novembro de 2013

Padrões

Um passo de gigante, uma alegria.

Uma tristeza, um passo de anão.

Como é que o tempo pode ser medido,

Se cada sentimento tem seu padrão.

 

Dizeis que um gás ionizado se chama plasma.

Dizeis que essa coisa vem do Sol.

Passai a dizer algo mais que também nos pasme.

Passai a dizer donde vem o pensamento!

Será que também é do firmamento!? 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Terça-feira, 15 de Outubro de 2013

Minha vida

Minha vida é vida só!

Minha vida é sem pertença.

Se quiseres a minha vida,

Não lhe dês uma sentença.

 

Minha vida quer viver

Minha vida quer voar

Liberdade para morrer

Liberdade para amar.

 

Morreria de saudade

Se a vida não fosse ter

Quero ser teu, hoje, todo

Amanhã d’outra qualquer.

 

Durmo como um anjo

E acordo sempre queimado

Pelos desejos de um diabo

De tanto sonho sonhado. 

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Terça-feira, 1 de Outubro de 2013

Pra vóvó

No espaço entre a alegria

E a certeza de ser feliz"

Fazes o que sempre fizeste

Que eu faço o que sempre quis.

 

Amar, amar perdidamente

É quando estou longe de ti.

É quando me dizes "não mereço"

Que mais te amo loucamente

 

Nos dias que fico ausente,

Meu coração bate forte,

Mas quando este dia chega

Fico louco; impaciente.

 

Quero falar-te, sentir-te,

Quero que me queiras só,

Para querer o que falta,

Que é dizer-te baixinho: “vóvó” 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Domingo, 15 de Setembro de 2013

Abraça-me!

Aquela flor que te dei
Ao teu peito foi parar
Quem me dera ser flor
Para nele te beijar

 

Neste balanço da vida
No vai e vem que ela faz
Ora vou à frente e te beijo
Ora largas-me e vou para trás.

 

O teu maior sentimento

Deixaste-o transvazar

O amor que tens lá dentro

Vai ser só para me amar 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Domingo, 1 de Setembro de 2013

No regresso

Dois dias que fiquei ausente

Pulsou-me o coração de contente

Por saber que andaste a perguntar

Onde me poderias encontrar

 

Logo que vim deixei tudo

Os deveres, a obrigação e sobretudo

Fui ter com os amigos pra contar

Que queria contigo estar. 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quinta-feira, 15 de Agosto de 2013

O enrolão

Certo dia entrei num “post”

Onde havia lamentação.

Era uma história triste

De uma dama em crispe

Por causa de um “enrolão”

 

Achei que era meu dever

Mandar um palpite então.

Fiz abrir o comentário,

E minha Nossa Senhora,

Mas que grande confusão!

 

Todo mundo queria ele,

Todo mundo estava armado.

Para uns bastava a palavra

E outros já levavam faca,

Para matar o “enrolão”

 

Perante tal situação

Bem depressa fui embora.

Escrevi que fiquei triste

Por haver tanto lamento,

Por haver tanto “enrolão” 

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quinta-feira, 1 de Agosto de 2013

Morreu!

O perfume fétido faz-me nojo

Do cadáver alvo e pincelado,

Com sangue negro de podridão,

De braços e cara para o lado.

 

Do machado hirto não se sabe a cor

Que a lâmina rompera e desventrara

Com golpes espichados em redor

Por qualquer pecado que a levou

 

Jaz maldito verme sejas tu!

Revolta-te no inferno pecaminoso

Mas dá-lhe paz àquela que foi donzela

E que o descanso seja nela jubiloso 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Segunda-feira, 15 de Julho de 2013

Esferográfica

Há uns anos atrás surgiu a esfera rolante

Despejando tinta de um tubo adelgaçado

Para o passado ficava a pena de molha bico

E o pedaço de lousa afiado no granito.

Houve tempo que não era aceite a novidade.

Senhores das leis decidiram com banalidade:

Tal coisa não deve escrever em papel do Estado,

E muito menos em papel selado! 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Segunda-feira, 1 de Julho de 2013

Ter-te tão perto

A tortura de te ter tão perto

E nada haver entre nós…

A esperança de te amar

Sem te poder tocar…

A loucura desta paixão

Não me deixa pensar

Que me resta a solidão

A olhar o nada

Sentir a alma dilacerada

Na ilusão de te querer

De me perder de corpo e alma

No labirinto do amor  

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sábado, 15 de Junho de 2013

História

De nada sabido se inventa história.

Dizer talvez, presume invenção.

Dizer a verdade pode não ser condição.

Dizer mentira, só convicção.

Uma história mal contada pode levar à traição.

Uma história bem contada pode levar à paixão

Depois de lidas e relidas estas frases no papel,

De uma coisa cheguei à conclusão.

Uma história bem contada,

Tenha ou não tenha fundamento,

Não passa de uma ilusão! 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sábado, 1 de Junho de 2013

Cheguei!

Trouxe recordações

Deixei amores

Levei paixões.

Vim para ti

Juntar corações.

Cheguei! 

 

Sinto uma saudade imensa

Tenho o coração rasgado.

Tenho uma vontade louca

De estar contigo a meu lado

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

Almas tristes

Um dia tem a vida se é vivida.

Num longo caminho de vida só.

Um dia a menos tem a vida de nada.

Num só curto dia de dó.

 

Almas tristes vagueiam por nada.

Alegres, também o fazem.

Sempre quisera a diferença.

Pra distinguir a presença.

De uma alma boa ou penada.

© Augusto Brilhante Ribeiro  

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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Poema ao adolescente

Hoje vi o que não era de ver.

Não era, mas hoje vi!

Não era importante o que vi.

Não era, mas hoje vi!

Hoje não era dia de ver.

Não era, mas hoje vi,

Vi e nunca mais vou esquecer! 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Segunda-feira, 15 de Abril de 2013

Poema das bravuras

Mais do que gesto é palavra dita, falada.

Mais do que olhar é gesto grande, rasgado.

Mais do que uma mão cheia de nada, é tudo.

Mais do que uma mão cheia de tudo, é nada.

Mais do que um gesto calado,

É alma livre de pensamento errado. 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Segunda-feira, 1 de Abril de 2013

Na dúvida

Quando o coração sobrepõe o pensamento,

O pensar solta-se e obedece o querer.

A certeza encontra esquecimento.

O primórdio da vida é o saber.

E à mentira não resta que obedecer. 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sexta-feira, 15 de Março de 2013

A Palavra

Haverá coisa mais bela

Do que escrevermos com ela

A palavra mais singela

Que nos vem do coração?

 

Haverá mais encanto

Do que trazer ao peito

Desenhada com preceito

A flor da sedução?

 

Haverá outra maneira

Sem ser por brincadeira

De lhe chamarmos Cupido

Se a seta rasga em paixão? 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sexta-feira, 1 de Março de 2013

Que sabes tu?

Que sabes tu o que é amar?

Que sabes tu o que é chorar?

Saberás o que é viver com nó na garganta a sufocar?

Que sabes tu o que é viver?

Sentir a alma morrer, quereres sem lá chegar…

Como podes falar de amor se numa lágrima derramada, de volta recebo nada?

Amor! Amor, amor...,

Que sabes tu o que é amar? 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013

Minha angústia

Esta angústia que me faz pensar em ti,

Traz-me mal do ventre e da cabeça.

Não consigo dar de jeito e adormecer.

Não consigo dar repouso ao comer.

 

Quando durmo acordo pra te ver.

Já me culpo do que nunca fiz.

Quero partir mas ficar para saber.

Estou triste mas sou feliz. 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2013

Verdades

Quando é afirmado que a roda é quadrada

E um quadrado diz que é redondo

Estaremos, acreditai, porque é verdade

À beira da caos na nossa esfera. 

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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013

Saudade e memória

A memória do tempo que estive a teu lado

Traz-me um saudoso sentimento de viver.

Quero ser presente, apenas para que se estivesse

Estar presente e ser o que não quisesse,

Ser a vez; o faz de conta; o que devia ser. 

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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2013

Quem sou eu

De quem é afinal este corpo que sustento!?

Da terra que é água e pó mineral?

E onde está, onde se guarda, aquilo que penso?

Na anti-matéria, algures no universo astral?

 

Como foi pequeno este corpo que viste nascer

Que o alimentaste para o veres crescer

Um dia, quando quiseres, há-de voltar a ser teu

Mas nesse dia só levarás pó e muita água

Porque a alma, o lembrar, o pensamento!

Isso não, não te pertence, é meu eternamente. 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sábado, 15 de Dezembro de 2012

Primeiro encontro

Encontrei-te muito moça

Na linha d’água natura

Muito bela, pouco segura

Serviçal, muito imatura

 

Naquele tempo austero

Procuravas a ternura

O belo duma feiura

A luz na noite escura

 

Olhámos um para o outro

Cheirámos as feromonas

Os circuitos entenderam-se

E a chama da vida acendeu-se.

 

Para a grande decisão

Foi um vai que vai danado

No final da confusão

Terminou tudo cansado. 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sábado, 1 de Dezembro de 2012

Martírio

Como é difícil ser poeta

Num dia de agitação

As palavras correm mal

É difícil a inspiração

No comboio foi uma aflição

As palavras que saíram

Foram como o ranger de ferros

Em constante fricção

Tric Trunc Trunc sss

E pouco mais se ouvia

O barulho ensurdecia

A vontade de escrever

E abafava esta paixão 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2012

Tanta chuva

Tomara que venha Sol

Que aqueça a terra gelada!

Tomara que venha vento

Que seque a terra molhada!

 

Tomara que venha o dia

Que te tenha para sempre!

Tomara que seja mentira

O amor que tenho ausente! 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2012

À lareira

Chuva, vento e trovoada

O relógio bate as horas

São cinco da madrugada

Um relâmpago, um clarão

Deixa rostos de fantasmas

Em paredes humedecidas

Batem portas e o portão

No rego forma-se um rio

Com lama de aluvião

Crepita a brasa que aquece

Um velho em solidão

Sentado esfrega as mãos

A vida já lhe tirou

Muitos anos de ilusão

Rareia a luz que ilumina

Na boca só tem amargo

Do centeio que fez o pão

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2012

Tanta tortura

A tortura das palavras

Que ouço diariamente

Não são mais do que pedradas

Que me atormentam a mente

 

A tortura dos teus passos

Num frenesim estridente

São como balas que explodem

Na minha cabeça doente

 

A tortura do teu olhar

Faz meu corpo vacilar

Faz-me pensar em te ter

 

Mas antes prefiro morrer

Do que a tortura de me ver

Aos teus pés ajoelhar 

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2012

Tempo e stress

Hoje, um dia a mais vi passar, desesperado.

O corre, corre, o sempre apressado.

Fui para trás, olhei, mas nada vi.

Voltei pra frente, vi mas não olhei.

Fique parado à procura do tempo não acabado.

Quando dei conta vi que afinal nada apetece,

Porque quem não olha, o que vê, desaparece!

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Sábado, 15 de Setembro de 2012

Amor proibido

Andei no teu caminho perdido

Segui teus passos, tuas palavras

Juntei-me a ti e pequei

Por amar amor proibido

 

Deste-te lentamente

Com ternura, com paixão

Saboreei-te com prazer

Amei-te perdidamente

 

Aos poucos senti-me teu

Em dias de loucas paixões

Procurei-te tantas vezes

No leito que não era meu

 

Sem te ter eternamente

Passaram-se os dias, os anos

À noite dormia só

Faltava-me o corpo quente

 

Não sei o que é que te deu

Largaste-me repentinamente

Trocaste o amor que te dava

Por outro que vinha do Céu

 

Resta-me olhar para trás

Recordar-te quando menina

Elegante bailarina, e eu

Aquele rapaz

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sábado, 1 de Setembro de 2012

A pena

Cai a pena no tinteiro

Molha o bico afiado

Traz a tinta, escorre a pinga

Faz rabisco o dia inteiro

 

Faz escrita de primeira

De terceira, quarta ou quinta

Faz recados no papel

Balancetes de fiel

Escreve palavras de amor

Caligrafia de encanto

E outras que é um horror

 

Se molha o bico estragado

Esborra tinta pró lado

Deita talco para secar

E mata-borrão para acabar

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2012

Tu, mulher

Onde me perdi no teu regaço

E me fizeste sonhar o amor…

Que me invades os sonhos

Com pesadelos sem cor…

Que te sumiste pela multidão

E não me deixaste um perdão…

Que me tormentas os dias

Desta minha solidão…

Onde estás tu, mulher?

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2012

Doença prolongada

Dos olhos caíram lágrimas

Cerrados os dentes

Boca mordente

Olhos pedintes

Um rosto em sofrimento

Mergulhou os dedos

As unhas de mãos rijas

Encrespadas

Largou-as em suplício

Pediu a morte em pensamento

Porém, só, ouviu lamento

Era sua a vida, mas perdia-a

Chegara o momento

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Domingo, 15 de Julho de 2012

Gafanhotos

De longe tão densos que já tapam

Como sombras de nuvens a correr

Gafanhotos famintos vão devorando

O que os pobres tinham para comer

 

De seguida, depois de nada haver

Lançam-se em magotes pelo ar

Voltam a zumbir até morrer

Ficando a destruição a encenar

 

Deixam resquícios de prazer

Restos de ceara pelo solo

Fome e miséria de se ver

Que ao poeta servirá de consolo

 

A criança não sabe a cor da fome

Seus pais que agora nada têm

Dão-lhe o que já ninguém come

Que a fome será seu entretém

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Domingo, 1 de Julho de 2012

A mosca

Virado do avesso

Espremido o limão

Para começo

Abriu o caixão

 

Virou-se de lado

Olhou-o de frente

Comeu um bocado

Foi pouco mas rente

 

Tirou pra provar

Cortou com cuidado

Não era pra dar

Ficara guardado

 

A mosca que voa

Perdida no ar

Aterra que é boa

Que anda a cheirar

 

Com a palma da mão

Enxota a maldita

A outra com pão

Caiu na sanita

 

Asneiras a rodo

Era um desatino

Parecia de todo

Ficar sem o tino

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sexta-feira, 15 de Junho de 2012

Voltar a ter-te

Ai se eu pudesse

Voltar a ter-te

Acariciar-te

Pousar de leve no teu peito

Beijar-te a boca

Beijar-te a pele

Fechar-te os olhos

Sussurrar-te palavras moucas

 

Ai se eu pudesse

Sentir-te o corpo

O peso dele

Rebolar com ele e ficar louco

 

Ai se eu pudesse

Se eu te visse

Diria mais do que te disse

Palavras que jamais chegaram e

Que os poetas sempre rimaram

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Na mira de te encontrar

A ânsia de querer olhar

O sinal que te deixei

Fez de mim um moribundo

Vagueando pelo Mundo

Na mira de te encontrar

 

Tenho comigo a tristeza

Da pouca delicadeza

Quando te tive comigo

Na postura e no falar

Em linguagem de amigo

 

Com gestos de perdoar

Quero contigo estar

Ouvir as nossas canções

Passear pelas colinas

Abrirmos os corações

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Terça-feira, 15 de Maio de 2012

Saudade do encontro

Deixaste um pedaço de ti

Esparramado no chão

Levaste um pedaço de mim

Acendeste-me a paixão

 

Mordi lábio à despedida

Fiz reza, uma oração

Espero que voltes um dia

Rezo por essa condição

 

Ainda hoje estou aguardando

Que me voltes a visitar

Fico à espera a noite toda

Que me queiras ainda amar

 

Choro, angustia, saudade

Se o vento pudesse levar

Se te pudesse trazer

Bom era poder-te amar

 

Nada mais seria igual

Tudo teria perdão

Palavras doces e amor

Palavras do coração

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Terça-feira, 1 de Maio de 2012

O recado

O recado que me mandaste

Li-o com muita atenção

Fiquei triste com o que disseste

Zangado, pois não perdoaste

Fizeste-o com intenção

 

Deixaste-me sem te ver

Sem permissão, abandonado

Um farrapo, mal tratado

Depois de tanto perdão

 

As cartas que te escrevi

Levou-as soprado vento

Contava-te o meu tormento

Porque nunca mais te vi

 

Deu-me uma saudade imensa

Do tempo que te queria ter.

Agora com a tua indiferença

Já não sei mais que fazer

 

Uma noite chorei e bebi,

Mas depois de acordar

Senti que podia amar

Outra mulher sem ti

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Domingo, 15 de Abril de 2012

A nossa Lua

A Lua que gira à nossa volta

A terra que gira à volta do Sol

O Sol que gira à volta de outros mais

Fez-te girar. Girar neste tormento:

Que é afinal o pensamento

 

No sentido que te levam as palavras

Nos gestos que te fazem pensar nelas

Esqueces o que sempre te ensinaram

E perdes-te na ilusão de sonhar alto

 

Era minguante, mas esperançado

Quando surgiu a lua nova desse lado

Quando chegou a lua cheia luminosa

E nos viu de amores lado a lado

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Domingo, 1 de Abril de 2012

Dois amores

São dois amores que disputo,
Duas odes quero cantar
O Douro, tenho-o comigo,
O Alentejo faz-me pensar


Deleito-me com belos sons,
Com encantos que me dão
Nas suaves melodias
Das suas ondas do mar

Um tem serras e montes
E rios a transbordar
Outro, planícies sem conta
E moleza no falar

Um a sul, quente demais,
Outro frio de gelar
O Alentejo com paixão
E o Douro de encantar

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quinta-feira, 15 de Março de 2012

O Nosso Balanço

Fiquei sem saber o que dizer.

Em menos de um fósforo regressei à infância.

Quis-me esconder como uma criança.

Ficar envolto num abraço maternal, sentir-me seguro,

Poder esquecer que me pudesses fazer mal,

Acreditar que tudo não passava de um sonho.

Porém, roía-me por dentro,

Tinha de te responder,

Tinha de falar,

Dizer-te com frontalidade, olhos nos olhos;

Que amar não é só presença.

Amar é pensar em ti de noite, de manhã, à tarde

Querer o melhor da vida para contigo partilhar.

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quinta-feira, 1 de Março de 2012

Nada

Sobre o nada já muito se disse
Sem nunca se dizer nada.
O teu nada com o meu, nada deu.
Dou-te nada em troca de nada.
E agora pergunto eu:
Se já não tinhas nada,
Afinal quem é que perdeu?

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Senti-te

Deixei-me embalar…

As palavras diziam nada

O compasso estava certo

Era música que cantava

Deixei-me sonhar…

Nas fantasias sonhadas

Ecos pelas montanhas

Nas notas que entoavas

Deixei-me acordar…

Eram os nossos desejos

Lábios que escaldavam

Leves toques de beijos

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Quero ver o mar

Quero ver o mar,

De pé, deitado ou de pernas para o ar,

Quero ver o mar,

De longe, de perto, ao Sol, ao Luar,

Quero ver o mar,

O pequeno, o grande, o imenso mar

E areia com crianças a rebolar.

Pronto, já disse! Quero ver o mar.

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Grito de esperança

Parece que finalmente

Poderei mesmo concluir

Que tudo acabou entre nós,

Que desta foi para sempre

 

Durante este tempo todo

Perdi-me de amores contigo;

Só vivo a pensar em ti.

Fui iludido. Sou um tolo

 

Não! Não consigo entender

Se eu nem te queria ter,

Apenas de ti receber

Mimos de enternecer.

 

Que é feito? Que achais

Daquela amizade que nos uniu?

Que é feito dos carinhos

Que enchiam os postais?

 

Fazes as pazes comigo?

Devolveste-me o silêncio.

Mesmo assim amo-te muito,

Mesmo com tudo perdido

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Domingo, 1 de Janeiro de 2012

Pouco importa

O teu ciúme agonia-me

Perco vontade de viver

Sabendo que pensas em ti

Estando eu prestes a morrer

 

Tão louco foi esse amor

De profundo enternecer

Como ousaste criar dúvida?

Dizer fui; sem nunca o ser

 

A penumbra da agonia

Que o tempo já não me cobra

O consentimento da vida

Pouco importa se já sobra

 

Quadras que rimam sem nexo

Palavras de pouco sentido

Frases soltas que se perdem

Na memória de não ter sido

 

A incerteza nos dias

Angústia, fúria talvez

Tudo fizeste na vida

Para acabar de vez

 

Vem, lua nova vem

Apaga a luz que me resta

Traz-me o amor de além

Que este, já vi, não presta

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Kity

Oh! Que imagem, que cor…

Esse lugar onde a luz que sobrava fazia reflexos.

Não havia dor, frio calor ou míngua de amor…

 

Foi assim que a vi, iluminada, posta de lado.

Com aquela luz que me penetrava o corpo.

Com aquele sorriso que me dava tudo a troco de nada…

 

Oh! Que imagem, sei-a de cor…

Quando a tarde adormecia, o sol, mal posto ainda a via.

O vento batia-lhe no rosto com lufadas breves.

Porém, numa sina de tristeza ficou envolta pela escuridão.

Foi então que acompanhou a natureza, deixando-me a solidão.

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

Donzela

Donzela de corpo e alma

Já sabe do que é capaz

No espelho fita com calma

No vestir é bem audaz

 

Corpo magro e esticado

Cabelo ruivo a esvoaçar

Passo largo e ritmado

Vai prá rua passear

 

A inveja que ela faz

À velha lá na calçada

Dá gozo ao velho sagaz

Ver-lhe a saia arregaçada

 

Espreitam prá ver de frente

Olham prá ver de trás

Suspiram desejos de mente

Que o corpo já nada faz

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

É tudo sonhos

Sonhos. É tudo sonhos, é tudo ilusão.

A minha fantasia, este querer, esta vontade:

Ter asas para voar.

Um dia ter-te, subir no ar para te amar.

 

Sonhos. Sonhar os sonhos e acordar só, sem te tocar.

É uma loucura.

É tudo sonhos.

A minha alegria é sonhar-te em fantasia.

 

Sonhos. É tudo sonhos. Ver-te tão triste morrer em sonhos.

Acordar no sonho e querer continuar.

Sonhos. É tudo sonhos viver no sonho de te amar

 

Sonhos. É tudo sonhos.

Ter-te p'ra mim, sonhar sem sonho

Querer por fim sonhar amar-te sem sonhar

 

Sonhos. É tudo sonhos...

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

Sacola de sonhos

Um sorriso de criança

Um pedir tudo do mundo

Inocência, breve lembrança

Um tesouro na sacola

Carregado de esperança

 

Um dia pôs a cartola

Um riso com alegria

Com gargalhada franca

Matreiro no outro dia

Que mata, mas não espanca

 

Como cresceu o rapaz…

Que homem se fez depressa.

Vai ser um doutor de paz

Chamado juiz, ora essa!

 

Na luta do dia-a-dia

Encontrou a bela Inês.

O amor que ele pedia

Nunca ela o satisfez.

 

Encontrou a bela Aurora

O mesmo a ele lhe fez.

Trocou-a por uma Isaura

Perdendo-a no mesmo mês.

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Sábado, 15 de Outubro de 2011

Esperei por ti

Vi-te um dia a passear

Abraçada pelo teu amor

Deixei-me por ali a olhar

Sentado a sofrer a dor

 

Quando já ias distante

Que já não pudesses ver

Meu coração galopante

Deu vontade de correr

 

Atravessei-me no caminho

Pus-me perto para te ver

Olhaste-me com carinho

Quis nesse instante querer

 

Ser aquele que te abraça

Sonhar-te a cada momento

Ter comigo a tua graça

Partilha do sentimento

 

Voltei para a realidade

Forcei sonhos de paixão

Perdi a noção da idade

Fechei-me na vã ilusão

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Sábado, 1 de Outubro de 2011

O teu sorriso

O teu sorriso, o teu andar

Que coisa linda, fico a pensar

Procuro-te longe, perto também

Quero-te sempre no meu coração

 

Olhar bonito, bonito de olhar

Corpo tão belo, que faz ofuscar

Outra mulher mais linda assim

Está p’ra nascer outra paixão

 

Minha promessa fica sem paga

Se eu te perco fico sem garra

O amor que tenho por ti me cega

Deixas-me preso nesta ilusão

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

O som do sino

Quando o som do sino toca

Só penso que são as horas

Do tempo que ainda falta

Para tocarem por mim

 

Quando o som do sino toca

Já outros sinos tocaram:

Quando dei nome à mulher

Quando lhes dei baptismo

 

Quando o som do sino toca

Dá-me saudade e tristeza

Faz-me lembrar que já foi

Quem me deu um dia ser

 

Quando o som do sino toca

Ouço sempre em desatino

Que por tanto querer viver

Já não ouço o som do sino

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

Mulher, mãe

Uma voz que a chama

Um sinal que lhe perdoa

Um olhar que a prende

A fala que atordoa

 

Um ser que acaba de ser

Que ainda não tem alma

Traz um sorriso na mãe

Num dia de muita calma

 

O Outono logo vem

O Inverno está a chegar

A Primavera rebenta

P’ra começar a chorar

 

Dois braços que a seguram

Quatro que a sustentam

Depressa se faz mulher

E nela outras rebentam

© Augusto Brilhante Ribeiro

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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

Sorriso

Sorriso, eu quero um sorriso

Porque não consigo.

Com lábios caídos, sobrolho arqueado,

O meu sorriso é mal humorado.

Nem posso sequer deitar olho pró lado.

Sorriso faz-me sorrir.

Quero gargalhar, olhar sem pecar, troçar e brincar.

Sorriso, eu quero um sorriso

Singelo é o pedido que eu te faço.

Só basta que faças aquele traço.

Sorriso, eu quero um sorriso

Por que me amargas este semblante.

Sorriso, eu quero um sorriso

Quero sorrir o sorriso dantes

Quero só rir…

Mostrar para o mundo;

Como te era e te sorria antes

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011

Carnaval

A festa era nossa

Era sempre andar

Caíste p’ro lado

Puxei-te pela mão

Quiseste descer

Abracei-te então

 

Quiseste-me o corpo

A rodopiar

Quiseste ser minha

Para eu te amar

 

De corpo suado
De lábios rasgados
Fizemos amor,

Embriagados


Depois me disseste:
Carnaval é festa!
E... porquê esta?
Esta? Não presta

Quero-te séria
Quero-te a sentir
Amar-te sem máscara
E no fim sorrir.

© Augusto Brilhante Ribeiro

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