Sábado, 9 de Setembro de 2006

A pena do porco

No encosto de canto
Do escano que é gasto,
Com lágrimas e pranto
A mulher resiste
C'os dedos em crispe
À vergasta de pele
Que o homem lhe vinca
Nas costas doridas.
 
De tanto vergar,
De tanto apanhar
No ventre profundo
Com sangue a jorrar
Pede p'ra parar
Que já lhe vai dar
O gozo lucífero
Ao porco focinheiro
Que lhe deixa o dinheiro
Até lhe saciar
A mente promíscua
Que diz que é amar.
© Augusto Brilhante Ribeiro
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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 16:13
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