Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

Ruas Estreitas

Uma janela que corre

Uma porta que se abre

Um velho que não descobre

A fechadura da chave

 

Um gato que mia do alto

Um cão que rosna por baixo

Uma palavra de pranto

Mão que arremessa o tacho

 

Paredes finas demais

A confidência que passa

O amor que solta ais

A mulher que é desgraça

 

Na rua estreita e escura

Mora o pecado da mente

Homens vadios sem cura

Mulheres sem a semente

 

Entre sombra e claridade

Viu-a a primeira vez

Na sombra viu a beldade

Despida, em plena nudez

 

Foi nesse momento fatal

Que o desejo despertou

O corpo alvo e sensual

Da mulher que nunca amou

 

Olhou-a de cima a baixo

Com vontade, com fulgor

Seios fartos como cachos

Quis beijá-los sem pudor

 

Renunciou a vontade

Quando a viu fazer amor

Julgava que tinha idade

Para ver aquele horror

© Augusto Brilhante Ribeiro

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publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 20:00
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