Domingo, 15 de Junho de 2014

Fui enganado

Agora me lembro, e que estúpido fui eu...

Agora me lembro que nem pintado de ouro me querias ver.

Agora reconheço que fiz figura de parvo...

Agora percebo como Adão teve de deixar o paraíso.

Agora, pois é, agora já deixei a minha marca e por ela hei de morrer.

Agora, jamais quero o que tanto desejei.

Agora, agora não quero, mas já nada há a fazer.

Agora?! E porquê insisto eu?

Para quê?

Como fui tão estúpido...

Que hei de fazer?

Como hei de desaparecer?

Já sei, fugir e não me dar a conhecer.

Ou talvez... Quem sabe?

Correr, correr até morrer...

É isso. É isso que tenho de fazer.

E depois? Será que não voltarei a viver?

Mas, vou morrer? E tem de ser?

Somente porque não consigo enlouquecer?

Não! Não! Isso não pode ser...

Fui enganado, vexado, espezinhado... Fui gozado.

Como é que me deixei ser domado?

Já sei, foi porque nunca fui amado...

Amado? E é possível que não tenha notado?

Não sei...

Fui enganado? Sim! Fui enganado.

E agora, bem, agora resta-me terminar com o que nunca começou.

Agora...

Agora procuro, rebusco, encontro e pum.

O silêncio invade-me a alma.

Não morro e fico danado.

© Augusto Brilhante Ribeiro

 

tags: ,
publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 00:00
link do post | comentar | favorito

pesquisar

 

arquivos

Alguém

Apagou-se

Algemas

Um-doi-erdo-eito

Encontro anulado

Resposta ao refrão:

Relatório

A minha casinha

Novelo

Dor de parto

Um susto

Hora do desejo

Uma morte enamorada

Pétala de amor

O tempo que lhe restava

Chegou ao fim

Um bronze de verão

Foi como quiseste

Ai se eu pudesse

Epitáfio

Vi-te assim

Justificações

Sem tempo

Retrospetiva

A razão

Velhice

Provocações

Em coma

Alentejo

Dia de vento

Fui enganado

Extorquido

Rosas sem cor

Néctar

Longe de ti

Bem-vinda

Fingi que te amava

Basta!

No velho sobreiro

Metáfora do meu ser

Como gosto de ti

Não te vi

Atrás da janela

Desilusão

Mente vazia

Padrões

Minha vida

Pra vóvó

Abraça-me!

No regresso

Música Clássica
Previsão do tempo