Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Sem tempo

Ele disse que o tempo voava.

Ele disse que já não tinha tempo.

Levantou-se e gritou bem alto,

Porque o tempo não era só dele:

A todos fora dado um tempo.

Um tempo de estar,

Um tempo de dormir,

Um tempo de comer e depois partir;

Um tempo para ver o tempo passar.

 

Outro lhe disse que alguém atrasou o tempo.

Então quem o fez passaria a ficar sem tempo.

E disse ainda: - O tempo não é só teu!

Virou-lhe a cabeça.

Todos o viram.

Ficou sem tempo e depois morreu.

 

Depois eu disse baixinho:

- Também eu estou a ficar sem tempo.

© Augusto Brilhante Ribeiro

publicado por Augusto Brilhante Ribeiro às 00:00
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